Bidimensionalidade na Fotografia
por Beth Barone Orientadora do Curso de Fotografia da ABRA

Quando olhamos através do visor para decidir o recorte de uma cena precisamos ter consciência de que a fotografia é bidimensional, possuindo apenas altura e largura, não tendo a terceira dimensão ou profundidade que estamos habituados a ver com nossos olhos. Assim, basta uma pequena distração para nos depararmos com resultados desagradáveis como uma figura humana com galhos saindo da cabeça, braços emendados com orelhas, etc...

Para evitar esse erro deve-se prever (pré-ver) como essa tridimensionalidade ficará num suporte bidimensional. Analise cada elemento da foto, verifique se eles se sobrepõem e imagine o resultado final. Movimente-se com a câmera nas mãos fazendo com que eles se movimentem no visor, colocando cada um no seu devido lugar.

Verifique a foto ilustrativa. O barco se situa entre as duas árvores. Ele não fica encoberto nem pela árvore da direita, nem pela da esquerda. O banco à esquerda da foto, também não encobre nenhum elemento importante. As pontas do barco à direita e da ilha, logo acima, também têm seu espaço reservado, não havendo disputa entre esses elementos. As poucas figuras humanas na cena se aglomeram à esquerda, porém nenhuma delas se sobrepõe à outra, mesmo estando em planos diferentes.

Esta distribuição estratégica é fruto de análise prévia, de movimentação com a câmera e, caso os elementos se movam, de clicar num momento específico. Observe as fotos dos grandes mestres da fotografia. Invariavelmente os elementos estão bem dispostos e a consciência da bidimensionalidade é notória.

Em breve estarei assinalando outros pontos que lhe ajudarão a fotografar cada vez melhor.

Até lá!



   
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