Cursos Técnicos (Por que fazer um?)
por Laerte Galesso, designer, professor de artes e diretor artístico da ABRA

Nos países mais desenvolvidos, o percentual de alunos que fazem cursos de formação em nível técnico é bastante equilibrado, em relação aos que fazem cursos de nível superior. Isso, infelizmente, não ocorre no Brasil, pois aqui há uma pressão muito grande da família e do mercado de trabalho, superestimando o diploma universitário. Isso tem levado muitos estudantes a tentarem conseguir um diploma de graduação a qualquer custo, muitas vezes, esquecendo que a formação é mais importante do que o papel. E que essa formação vai ser cobrada dele, na hora de ingressar no mercado de trabalho.

Muitas faculdades se aproveitam dessa situação e criam programas de cursos de baixa qualificação, geralmente de baixo custo, cujos resultados dependem exclusivamente do esforço aluno. Este, por sua vez, por problemas na base da sua formação, não está interessado em aprender, mas apenas em investir financeiramente numa carreira e obter o tão sonhado diploma de graduação, muitas vezes apenas para “contentar” a família. Assim, a instituição “finge” que ensina; o aluno “finge” que aprende e, no fim, consegue um Diploma que, em muitos casos, serve apenas para contentar o ego dos pais.

Com esse quadro, o panorama que se desenha é que há muita gente “formada” ou se “formando” sem as mínimas condições de exercer as funções para as quais deveria estar preparada. Isso acaba frustrando as expectativas do aluno que investiu quatro anos da sua vida e acaba conseguindo trabalho apenas em atividades menores e diferentes daquela que se formou.

Isso pode ser comprovado nos processos de seleção nas empresas: em média, de cada 100 currículos recebidos, 90% são eliminados na análise e nem chegam à entrevista. E grande parte dos desempregados no Brasil não está nesta condição por falta de emprego, mas, pela falta de preparo para desempenhar as funções para as quais se candidatou, justamente por falta de estudo ou má formação.

Esses alunos recém-formados recorrem, então, a cursos de especialização, aperfeiçoamento e técnicos, tentando suprir suas deficiências e “enxertar” conteúdo ao currículo. Essa solução é bastante válida, pois, os responsáveis pela seleção de candidatos nas empresas costumam prestar bastante atenção não apenas na formação principal, como também nos estudos complementares. Por isso, na hora de buscar um curso de especialização ou aperfeiçoamento, é importante verificar a idoneidade da instituição, programa de curso, professores e, o mais importante: o reconhecimento que o certificado ou diploma tem no mercado de trabalho.

Não devemos generalizar; há muitas faculdades boas, que se preocupam com a formação e com a empregabilidade de seus alunos. Isto geralmente está associado aos custos de investimentos e aos valores pagos pelos alunos. Investir em pesquisa, treinamento, tecnologia e bons profissionais ainda é muito caro no Brasil, pois não existem incentivos suficientes dos governos para isso.

Além desses problemas colocados, a má fama que os cursos técnicos tinham no passado acaba influenciando. Lembro-me que nas décadas de 70 e 80, o panorama era mais ou menos o contrário: tínhamos bons cursos de nível superior e os cursos técnicos tinham uma conotação pejorativa, pois proliferavam em qualquer beco e sem nenhum critério de aprovação.

Nos anos 90, o Ministério da Educação (MEC), percebendo que muitas faculdades só querem tomar o dinheiro de seus alunos, lançou um programa para revigorar e multiplicar os cursos de nível técnico.

Hoje, há ótimos cursos de nível técnico, que formam os alunos em menos tempo, proporcionando uma boa base nas atividades que ele vai desempenhar e com grande chance de empregabilidade.
“O curso técnico é todo e qualquer tema especializado que a pessoa estuda como forma de complementação, aperfeiçoamento ou especialização. Pode ser feito em qualquer idade”, explica o conselheiro de carreira, José Augusto Narelli. “Muitas pessoas hoje estão perdendo seus cargos porque sua ocupação deixou de existir ou o seu trabalho foi substituído por outras formas. Essas pessoas precisam se qualificar para continuar trabalhando em outro lugar”.
Um diploma de graduação é sempre muito bem-vindo nos currículos, mas para quem está em dúvida sobre qual faculdade fazer e quem não tem condições de pagar por um curso superior, os cursos técnicos podem ser uma boa opção. Pois, o aluno atuando no mercado poderá, no futuro, fazer uma boa Faculdade.
A duração de um curso técnico deve ser de, no mínimo, 800 horas. E todo cuidado é pouco na hora da escolha. Uma dica importante é verificar quanto tempo a instituição está ativa; visitar o estabelecimento; conversar com o diretor, com os alunos e com quem já se formou no curso, para saber como foi a formação. Outra dica: duvide de muitas facilidades e preços muito baixos; tudo que é sério requer esforço e investimento. 

As principais vantagens de um curso de Nível Técnico são:
- Tempo de duração menor;
- Objetividade na formação do aluno;
- Custos bem mais reduzidos;
- Materiais mais baratos;
- Em geral, as aulas não são todos os dias da semana;
- Não precisa de Vestibular.

Tomando por base um curso de graduação em Design de Interiores, por exemplo, com duração de quatro anos e investimento médio mensal numa boa faculdade de R$ 1.200,00 X 4 anos = R$ 57.600,00, fora a matrícula e materiais.
O curso de Nível Técnico em Design de Interiores da ABRA tem dois anos de duração, com investimento atual de R$ 16.561,00, incluindo a Taxa de Matrícula, Módulos Teóricos e apostilas. 
É claro que uma faculdade de quatro anos proporciona um embasamento teórico maior. Porém, em termos de atuação no mercado de trabalho, um bom curso de Nível Técnico oferece as mesmas condições de competitividade.
Para quem está saindo do ensino Médio ou no início de carreira, o curso técnico pode ser uma boa oportunidade para antecipar a profissionalização e ingressar no mercado de trabalho. Para quem já se formou uma especialização nunca é demais.

Documentação:

Para se inscrever num curso de Nível Técnico, você precisa apresentar os seguintes documentos:

-Requerimento de Matrícula (fornecido pela escola)
-Requerimento / Declaração de Aproveitamento de Estudos (fornecido pela escola)
-02 Cópias do Histórico Escolar de Conclusão do Ensino Médio
-Declaração de Escolaridade (se estiver cursando o Ensino Médio) - Original e Cópia do Histórico Escolar de Conclusão do Ensino Fundamental.
-01 Cópia do RG.
-01 Cópia do CPF.
-01 Cópia da certidão de nascimento. (mesmo para os casados)
-01 Cópia da certidão de casamento.
-01 Cópia do titulo de eleitor.
-03 Fotos 3x4 (Atuais).
-01 Cópia do documento militar para o sexo masculino, entre 18 e 45 anos.
-01 Comprovante de Residência.

Para saber mais sobre cursos técnicos acesse: www.abra.com.br



   
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