Arquitetura minimalista: quando o menos é mais Academia Brasileira de Arte -

Certamente ao andar por uma grande metrópole, você deve ter notado que a grande maioria de novas construções não contam com grande número de detalhes. É comum vermos formas mais simples, que buscam a sofisticação a partir do uso de ângulos e formas geométricas em vidrarias e superfícies espelhadas. Isto deve-se a arquitetura minimalista. 

Ela tem origem relativamente recente, mas tornou-se extremamente popular e requisitada nos últimos tempos. Ela faz parte da corrente do minimalismo, que se expande para além da arquitetura. Por exemplo: temos o minimalismo na arte, no design de interiores (que falamos anteriormente) e até mesmo como estilo de vida. 

Agora vamos nos aprofundar um pouco mais na arquitetura minimalista, em suas origens e como aplicar seu conceito nos projetos. 

Arquitetura minimalista: o que é? 

Acima demos uma pequena introdução, mas indo mais além, trata-se de criar um projeto com apenas os elementos essenciais, retirando todos os excessos. Para isso, é comum o uso de cores neutras como o preto e branco, uso de painéis assimétricos, assim como grandes formas geométricas. 

Os próprios revestimentos e acabamentos buscam destacar essa simplicidade, já que há predominância do concreto, elementos de metal e madeira. Além disso, a própria natureza costuma estar presente. Dessa forma, esta também exige muita habilidade, de forma a criar algo com pouco, mas que mostre sofisticação e modernidade. 

Minimalismo: o movimento que deu origem a arquitetura minimalista 

Para entender melhor a questão da arquitetura minimalista, é preciso observar com atenção o movimento do minimalismo. Apesar de muitos atribuírem sua origem como consequência de movimentos como o “De Stijl” e “Bauhaus”, no Japão já existia algo que seguia essa linha, dentro da filosofia zen. 

Ou seja, é possível que tenhamos inspirações orientais nesses movimentos, até pelo fato de ele ir além das artes, sendo um estilo de vida. Pode-se atribuir estes movimentos europeus também ao fato de encontrarem uma Europa devastada pela guerra e oferecerem a possibilidade de um estilo de vida menos consumista, mas que ainda sim pudesse oferecer sofisticação e estilo. 

Ambos tinham filosofias que vemos até hoje na arquitetura minimalista. Primeiramente no caso do “De Stilj” temos: 

  • Cores primárias; 
  • Formas geométricas; 
  • Planos retilíneos; 
  • Purismo. 

Enquanto isso no “Bauhaus” o que vemos é: 

  • Funcionalismo; 
  • Simplicidade; 
  • Formas reduzidas; 
  • Inovação no uso de materiais como aço, madeira e vidro. 

Como podem ver, os elementos básicos das duas escolas norteiam até hoje as bases da arquitetura minimalista. Contudo, só fomos ter isso de fato aplicado de forma efetiva nela a partir do arquiteto Ludwig Mies van der Rohe, que criou o termo “menos é mais”.  

Ele o usou para descrever a estética de suas obras. Ela consistia em organizar os componentes necessários de um edifício para criar uma impressão de extrema simplicidade. 

Atualmente acredita-se que o uso do estilo, tanto na construção, como no design de interiores, é uma alternativa a poluição visual presente nas grandes metrópoles. A ideia é oferecer um ambiente limpo, com poucos elementos e que possa contrapor o caos e excessos que se vê durante o dia. 

Oscar Niemeyer: referência no estilo minimalista 

Recentemente tivemos o aniversário de Brasília e novamente destacou-se as dezenas de projeto de Oscar Niemeyer para a cidade. Pois ele tornou-se uma das referências mundiais na arquitetura minimalista. Ele conseguia aplicar como poucos o lema do “menos é mais”.  

Ao mesmo tempo que observam-se as linhas simples de suas construções, por outro lado elas transmitem modernidade e sofisticação. Juntamente com isso, ele sabia usar como poucos os espaços vazios em suas obras, destacando a eliminação dos elementos supérfluos delas. 

Aplicações do minimalismo na arquitetura 

Primeiramente é preciso destacar que para se conseguir um perfeito efeito disso, tanto a construção como a decoração precisam “conversar”. Pois de nada adiantará se utilizar da arquitetura minimalista, se a decoração for feita de forma exagerada e extravagante. 

Aqui podemos citar a Casa Schröder, projetada por Gerrit Rietveld. Este era um arquiteto que participou ativamente do movimento “De Stilj” e sua construção é considerada o primeiro exemplar com características minimalistas. Contudo, não podemos deixar de ressaltar que ela é representante também do neoplasticismo. 

O conceito da arquitetura minimalista é: reduzir a um estágio em que ninguém pode remover mais nada que possa melhorar o design final do projeto. Porém para isso é preciso avaliar alguns critérios para se definir o que é o “essencial”. Eles são seis, a saber: luz, forma, material, espaço, local e condição humana. 

É importante destacar que mesmo seguindo essa linha de usar o essencial, a aplicação de enfeites não é algo descartado. Contudo, eles não devem ser muitos e devem ser funcionais, além de oferecerem personalização do morador para o local. 

Outra coisa fundamental é a iluminação, pois a construção deve apostar na iluminação natural, com muito uso de vidro na obra. Por fim, não se deve ignorar a importância de ambientes mais arejados, com bastante circulação de ar. Para isso, espaços mais abertos, que possam valorizar o “vazio”. 

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