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Um dos grandes clássicos da história do cinema, Titanic traz um monte de histórias interessantes referentes a sua produção. Entretanto, uma das principais muitos talvez desconheçam: que a personagem Rose Dawson na verdade é baseada em uma história real: a da artista Beatrice Wood. Ela foi uma artista muito versátil, indo das artes plásticas ao trabalho de sucesso com cerâmica. 

Beatrice Wood e as inspirações vistas em Titanic

Interessante observar que quando fez o filme, James Cameron lia a autobiografia dela, lançada em 1995 e ali teve a visão de sua protagonista. Sua ideia era que Rose fosse uma mulher com uma mãe controladora, mas que a moça se rebelasse, graças a seu temperamento forte e mente batalhadora.  

Aqui a história se assemelha muito a de Beatrice Wood, que quando jovem sofreu muito com o controle da mãe (como falaremos adiante). Um outro fato interessante é que a idade da personagem no filme quando ela vai narrar a história é a mesma de quando a artista lançou seu livro (102 anos).  

Inclusive a atriz que a interpreta (Gloria Stuart), junto com Cameron, vão a casa de Beatrice para levar-lhe uma cópia do filme recém-lançado em 1997, já que ela não pode ir à pré-estreia por conta de sua saúde debilitada. Ela inicialmente não queria ver o filme por saber que ele seria triste, mas acabou por ver no final. Ela faleceu pouco tempo depois de seu lançamento, em 1998.

Beatrice Wood Junto de Gloria Stewart e James Cameron

Apesar de muitas semelhanças, há muitas diferenças na história contada no filme, com a inspiração real. Primeiramente a principal: Beatrice Wood nunca esteve no Titanic. Apesar de ter feito muitas viagens entre os EUA e a Europa, naquela época ela estava indo para a França, para começar seus estudos artísticos.  

Com isso, obviamente nunca houve um “Jack” para ela, ainda que Beatrice tenha tido uma vida amorosa bem agitada. Por fim, enquanto Wood era uma artista nata, aprendendo tudo, desde pintura a atuação, cerâmica e escrita de romances, Rose aparece como alguém mais interessada em arte do que comprometida em ganhar a vida com ela. 

Agora contaremos um pouco mais sobre a vida e obra de Beatrice Wood. 

A infância e as primeiras rebeliões contra os desejos dos pais

Beatrice Wood nasceu em 1893 em San Francisco, filha de pais ricos e com boa consciência social para a época. No entanto, desde o início a educação da filha era pensada para que ela fosse uma dama da alta sociedade.  

Já morando em Nova York, a mãe fazia os preparativos para a “apresentação” na sociedade nova-iorquina. Isso incluiu um ano em um convento em Paris, matrícula em uma escola da moda e viagens de verão à Europa, onde ela foi exposta a galerias de arte, museus e teatro. Entretanto ser exposta às artes fez com que em 1912 ela dissesse a mãe que queria ser pintora, rejeitando os planos para uma festa de debutante. 

Mesmo com tão radical decisão a mãe aceitou, mas ela queria definir como seria feito esse estudo. Sendo assim, junto de uma acompanhante, Beatrice foi matriculada na Academy Julian em Giverny, na França. O local era o ponto da moda para jovens artistas, especialmente por ali ser a terra natal de Monet.  

Contudo, achando tediosa sua metodologia de ensino, fugiu da acompanhante e foi morar em um sótão, que forrou com suas telas. A mãe, ao saber do ocorrido foi para a França, vai até onde ela estava e a leva de volta a Paris.  

O início no Teatro de Beatrice Wood 

Ao voltar, ela põe de lado a pintura e volta suas atenções ao teatro. Contudo, novamente sua mãe interfere em sua educação, definindo que ela deveria fazê-lo da “forma adequada”. Dessa forma ela recebe aulas particulares de atuação e dança com membros da Comédie-Française. Posteriormente até mesmo aparece no lendário palco com as principais estrelas da época, incluindo Sarah Bernhardt. 

Por conta da Primeira Guerra Mundial, ela volta para os EUA e sua mãe tenta demovê-la da ideia de atuar no teatro nova iorquino. No entanto, graças a sua fluência em francês, ela entra no French National Repertory Theatre, onde interpretou mais de sessenta papéis ingênuos sob o nome artístico de “Mademoiselle Patricia”. O motivo era para preservar o nome da família. 

O encontro com Duchamp e a participação no dadaísmo dos EUA

Por conta de um encontro casual durante uma visita ao hospital, Beatrice Wood conhece Marcel Duchamp. Ele a apresenta para Henri-Pierre Roché, um diplomata, escritor e colecionador de arte francês, que viria a ser seu primeiro envolvimento amoroso (ela também se envolveu com Duchamp).  

Pouco tempo depois, junto com nomes como Francis Picabia, Mina Loy, Man Ray, Charles Demuth, Joseph Stella, Charles Sheeler e o compositor Edgard Varèse, participou ativamente do movimento dadaísta de Nova York, além de fundar com Roché e Duchamp a revista “The Blind Man”.  

Ela entrou de cabeça no movimento e ali desenvolveu seu estilo de desenho e pintura espontânea, que ela continuou ao longo de sua vida. Ela participou da célebre exposição “Dadá” de 1917 e fez um ensaio na revista Blind Man defendendo a obra de Duchamp que era um mictório manufaturado exibido sob o pseudônimo de R. Mutt. 

Desenho de 1917 de Beatrice Wood

Porém, em 1918, querendo fugir do controle da mãe, ela muda-se para o Canadá, voltando a atuar e casa-se com um diretor de teatro. Apesar de conseguir livrar-se um pouco da mãe, o casamento durou pouco e ela retornou em 1920 para Nova York. Porém encontrou o movimento dadaísta já dissipado, com cada um tomando um rumo.  

Dessa forma, ela vai para Los Angeles, onde haviam eventos regulares com os Arensberg (que abrigavam os saraus dadaístas) e os Krishnamurti, do sábio indiano Jiddu Krishnamurti. 

A entrada de Beatrice Wood na cerâmica

Sua relação com Jiddu Krishnamurti a fez ingressar nessa nova área. Isso porque em uma de suas viagens para Holanda junto com ele, Beatrice comprou um conjunto de pratos de sobremesa barrocos e incapaz de encontrar um bule que combinasse, ela decidiu que poderia simplesmente fazer um. Por conta disso, ao voltar para os EUA, matricula-se na Hollywood High School. 

Contudo, ela percebe que não era uma artesã nata, ao encontrar extrema dificuldade para fazer artes em cerâmica. Por conta disso ela foi estudar a química do esmalte, enquanto seguia praticando.  

Anos depois, ela alugou uma pequena loja de artesanato em Crossroads of the World em Sunset Boulevard. Neste momento passa a viver vendendo seu trabalho em cerâmica. Posteriormente, já no final da década de 30, ela consegue dominar o ofício ao estudar com Glen Lukens e depois com Gertrud e Otto Natzler. 

Apesar de ela considerar os dois últimos seus mentores mais importantes, por eles acharem que ela estava apenas copiando e “roubando” suas ideias, eles exigiram que ela fosse embora. Isso veio no momento que sua carreira como ceramista decolava.  

Em 1947, já com sua carreira estabilizada, ela tem seu trabalho exposto no Los Angeles County Museum of Art e no Metropolitan Museum of Art em Nova York (MoMa). Além disso, ela recebia pedidos de importantes lojas de departamento como Neiman Marcus, Gumps e Marshall Fields. 

Seven Figures Standing on Slab Base, de 1948

A relação próxima com a Índia e a carreira como escritora

Quando ela foi para Ojai para ficar próxima aos Arensberg e Krishnamurti, sua relação com o segundo ia além dos eventos. Como citamos, ela acompanhava muitas das palestras e Jiddu, assim como lia seus livros. Seu fascínio com a filosofia de vida que ele pregava fez com que ela a adotasse ao longo de sua vida. 

Mas sua relação não parou apenas na filosofia de vida, pois em 1961, após um convite do Departamento de Estado americano para visitar a Índia em um tour por quatorze cidades, ela apaixonou-se pela arte do país. Isso pode ser visto nas suas obras, especialmente no uso de superfícies, textura, cor, ornamentação e imagens eróticas. 

Ela ainda foi mais duas vezes, em 65 e 72, sempre comprando artes populares e saris. Apesar de não ir mais nenhuma vez até o fim da vida, ainda era possível ver as referências do país em muitos de seus trabalhos. Foi pouco tempo depois de sua última viagem à Índia e com quase 80 anos, que ela lançou seu primeiro livro, chamado “The Angel Who Wore Black Tights” (O Anjo que Vestia Meias Pretas). 

Capa de sua Autobiografia, que inspirou James Cameron

Ela escreveu diversas obras de destaque, entre elas “Pinching Spaniards” (1988), “33ª Esposa de um Marajá: Uma História de Amor na Índia” (1992) e “I Shock Myself” (1995), a autobiografia que inspirou James Cameron.  

Referências no cinema e legado

Entretanto, podemos ver referências a sua vida e obra em muitos outros lugares. Por exemplo seu relacionamento com Marcel Duchamp e Henri-Pierre Roché inspirou o livro do segundo, chamado “Jules e Jim”. Posteriormente, este foi transformado em um célebre filme francês pelo diretor François Truffaut. 

Além deste, também temos um filme sobre sua vida: “Beatrice Wood: The Mama of Dada” feito no seu aniversário de 100 anos. Após sua morte, o lugar onde ela vivia em Ojai foi doado para a Happy Valley Foundation, que deixou seu atelier aberto a visitações e transformou-o em um centro de artes. Quem vai lá pode ver suas obras, coleções, além de ter acesso a uma rica biblioteca. 

 

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