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Como aproveitar ao máximo seu curso à distância?

Muitas pessoas têm dúvidas sobre cursos à distância, os famosos cursos EaD. Enquanto alguns acham que este tipo de aula não funciona, outros pensam que é muito mais fácil do que em um curso presencial. Para esclarecer essas e outras dúvidas, convidamos o Professor Mestre Fernando Rossini* para contar um pouco para nós sobre as diferenças entre estudar presencialmente ou em cursos EaD:

// Ensino EaD é a mesma coisa que presencial?

Primeiro queria dizer que foi com prazer muito grande que recebi o convite da ABRA para escrever sobre este tema. Há mais de 10 anos leciono nas modalidades presencial e à distância, e já estudei e vivenciei tanta coisa nessa área que acredito que posso colaborar com o debate.

Aliás, o fato de o debate existir já significa muita coisa. Quando comecei minha trajetória no meio acadêmico, as aulas à distância eram raras, e os próprios colegas professores evitavam, achando que “não era a mesma coisa”. Depois de um tempo, as universidades investiram pesado nisso, a disponibilidade de aulas (e consequentemente de renda) aumentou bastante, e hoje a maior parte dos professores faz questão de dar aula no chamado EaD.

Com o aumento repentino de cursos à distância por causa da pandemia – e com os cursos presenciais também acontecendo dessa forma – houve uma corrida dos profissionais buscando qualificação para poder ensinar à distância. Os poucos professores que eram avessos à ideia, viram que não há outra opção no momento, e todos investiram tempo e dinheiro para ter um ambiente e equipamentos propícios para isso.

// Ensino à distância é uma prática muita antiga

À primeira vista, quando se fala em ensino à distância, parece que estamos falando de algo novo, relacionado à tecnologia. Entretanto, essa prática é até mais antiga do que as escolas que chamamos de “tradicionais”. Os antigos gregos e romanos já praticavam o ensino à distância, por meio de cartas e pergaminhos. Alexandre, o Grande, imperador macedônio conhecido como um dos homens mais poderosos da história, passou sua adolescência em uma ilha, aprendendo parte in loco e parte por correspondência, tendo como seu grande mentor o filósofo Aristóteles.

No Brasil, quem gosta de quadrinhos vai lembrar que na década de 90 a propaganda mais comum em gibis da Disney e da Turma da Mônica era do famoso Instituto Universal Brasileiro, que oferecia cursos de mecânica também por correspondência.

Sendo assim, a questão do “online” é apenas uma ferramenta, e não a metodologia em si. O ensino à distância, como eu disse, existe há séculos, e agora apenas tem facilidades que eram impossíveis de se imaginar tempos atrás.

// Nem todos gostam do EaD

Esclarecida a questão da antiguidade do ensino à distância, é necessário pontuar que nem todo mundo gosta deste tipo de ensino. Da mesma forma, nem todo mundo gosta de aulas práticas, e nem todos os alunos são apaixonados por aulas teóricas. Se pensarmos em uma universidade, não só o ensino, como a extensão e a pesquisa não são unanimidade, e isso se dá porque cada um tem características próprias de aprendizagem.

Entretanto, um caminho pelo qual escolas, faculdades e universidades têm percorrido e que agora, mais do que nunca, é sem volta, é o do ensino misto ou totalmente EaD. Isso se dá muito pelas vantagens das aulas à distância, sobre as quais falarei mais adiante, e agora pelo medo das pessoas de interagirem fisicamente em um lugar – pelo menos até termos uma cura para a Covid-19 e o fim da pandemia. Então, não importa se você é aluno ou professor: o meu conselho, se assim me permitem, é que tentem derrubar os preconceitos e abram a cabeça para as possibilidades do ensino à distância. Hoje ainda é possível optar por um curso presencial ou semi, mas eu acredito que daqui a não muito tempo – uma década, talvez um pouco mais ou menos – essa opção não estará mais à mesa.

É claro que algumas características pessoais vão facilitar ou dificultar essa transição. Eu, por exemplo, tive muita facilidade quando fui fazer meu MBA (que era 60% à distância) por sempre ser muito ligado em tecnologia. Alguns colegas de sala quase desistiram, e outros realmente não terminaram. Porém, isso também aconteceu no meu curso de graduação, que foi 100% presencial, o que mostra que talvez o preconceito seja maior do que as dificuldades reais de um curso EaD.

// O Ensino à distância é colaborativo e o aluno tem um papel ativo

De todas as características do EaD, tem uma que me chama muito a atenção, e que os educadores de todo o mundo têm tentado levar também para os cursos presenciais: o aluno tem um papel ativo, e a construção do conhecimento é colaborativa.

Se em uma sala de aula com 40 alunos é comum que muitos fiquem quietos o tempo todo, apenas ouvindo o professor falar, em uma sala virtual, mesmo que haja 100 pessoas, isso não é possível. Geralmente os fóruns exigem uma quantidade mínima de interação, e as atividades costumam ser individuais, tirando da zona de conforto aquela pessoa que apenas “faz número” na sala de aula. Da mesma forma, aquele aluno que fica “pensando na vida” enquanto um professor fala, não pode fazer a mesma coisa enquanto lê um texto na plataforma de ensino – afinal, ler é uma atividade mais complexa e ativa do que apenas escutar (e escutar é diferente de ouvir, mas isso é assunto para outro texto).

Pedagogos trabalham hoje salas de aula presenciais com os conceitos de “sala de aula invertida” e “metodologias ativas de aprendizagem”. Se você tem curiosidade pelo tema, vá ao Google e pesquise mais sobre isso. Se foi, já percebeu o quanto a aprendizagem aqui na internet é mais ativa por parte do aluno. Hoje, aquela história de “o professor ensina e o aluno aprende” não existe (ou não deveria existir) mais em nenhuma modalidade de ensino. Não dá para imaginar que no mundo com todas as conexões que temos, uma pessoa só (o professor) tenha conhecimento para sozinho ensinar dezenas de alunos. Mais que isso: não é possível acreditar que alguém consiga colocar algo na cabeça de outra pessoa se essa outra pessoa não quiser aprender.

Por isso, o ensino à distância traz o aluno para um papel de protagonista que ele não estava acostumado na sala de aula “tradicional”. A partir disso, com todos os alunos assumindo esse protagonismo, o conhecimento deixa de ser algo que uma pessoa transmite para outra, e sim algo construído coletivamente.

Em um fórum sobre marketing de serviços, por exemplo, eu trago aos alunos minha experiência na área, e relaciono-as com os conceitos teóricos. Mas o que vai fazer a diferença é cada um se identificar com aquilo e compartilhar experiências próprias, dizendo o que foi feito, se deu certo ou errado, e como poderiam melhorar a gestão das empresas a partir dessas informações.

// No EaD, cada um aprende na hora e no ritmo que dá

Outra vantagem imensurável do ensino à distância é a chamada atemporalidade. Pense numa sala de aula tradicional, em um curso noturno: você trabalhou o dia todo, pegou ônibus e metrô lotado, e precisa ficar lá por 3 ou 4 horas ouvindo o professor falar, participar de debates, atividades, entre outras coisas. Por melhor e mais interessante que seja a aula, aquele pode não ser o melhor momento para que você aprenda. Cansaço, fome, irritação, preocupação são apenas alguns dos fatores que vão impedir que você extraia o máximo daquela aula. Às vezes você só não está com vontade, mesmo.

Por outro lado, se você faz um curso EaD, tem a possibilidade de acessar o conteúdo e produzir a hora que bem entender. Para quem gosta de ler e escrever de madrugada, como eu, é uma vantagem sem fim! Ou para as pessoas que gostam de ler enquanto se exercitam, e deixam para escrever no caminho para casa no metrô, por exemplo, também é uma possibilidade. Aliás, só de não perder horas no transporte para ir e voltar da instituição, já é um ganho muito grande para muitas pessoas. Quem demora 1 hora e meia entre ir e voltar da escola / faculdade, pode direcionar este tempo aos estudos, ou até mesmo ao descanso, para absorver melhor o conteúdo.

Outra vantagem relacionada ao tempo é a velocidade. Em toda sala de aula, alunos têm mais ou menos facilidade de aprender, até pela relação prévia que possuem com o assunto tratado. Um dos meus papeis, como professor de uma sala de aula presencial, é tentar encontrar um meio termo no que diz respeito ao ritmo. Porém, a gente sabe que isso não é o ideal, porque os alunos mais adiantados acabam ficando entediados e perdendo a oportunidade de aprofundar no assunto, enquanto aqueles que têm mais dificuldade sentem-se atrasados e pressionados. Você acaba nivelando todo mundo e não atende de acordo com o ritmo de cada um, o que é possível no EaD, já que o próprio aluno dita o ritmo de seu aprendizado.

Claro que para isso o curso precisa ser pensado corretamente, e atuação dos tutores EaD é fundamental. Porém, a atemporalidade faz com que cada um controle não só a velocidade, mas o quanto vai intensificar seu conhecimento naquele tópico especificamente, de acordo com sua identificação e necessidade.

// Para estudar à distância, são necessárias duas características

Quando alguém me pergunta o que é necessário para conseguir fazer um curso EaD, eu respondo que duas características bastam: organização e disciplina. A primeira para você ter o controle sobre prazos, quantidade de leituras, atividades etc. Já a segunda vai permitir que você faça tudo sem que alguém precise ficar o tempo todo em cima de você.

Até pela questão da atemporalidade citada acima, o EaD é um grande problema para aquelas pessoas que precisam de um professor o tempo todo em cima cobrando entregas. Por características da modalidade, os alunos ficam muito mais soltos, e precisam fazer esse autogerenciamento para que não se percam e não deixem a coisa acumular. Cansei de ver nesses anos todos excelentes alunos sucumbirem à quantidade excessiva de tarefas porque não souberam administrar o tempo e deixaram tudo para a última hora, sem estimar o esforço necessário para cumprir cada uma.

Se você consegue ser motivado e organizado, o resto virá naturalmente. Um bom ambiente de estudo na sua casa (que é mais ou menos o mesmo ambiente de um bom home office), equipamentos adequados e boa conexão também vão ajudar muito, mas é o amor à área que você escolheu que fará com que sua escolha de curso será bem sucedida. Se você conseguir reunir todos esses ingredientes, garanto a você: o sucesso virá!

*Fernando Rossini é publicitário formado pela Universidade Metodista de São Paulo, especialista em marketing pela Uninove e mestre em administração pela USP. Professor universitário há mais de 10 anos – nas modalidades presencial e à distância – tem mais de 200 horas de treinamento específico para ensino a distância.

Prof. Fernando Rossini

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