Meus avós, meus pais e eu: os detalhes da obra de Frida Kahlo Academia Brasileira de Arte -

Frida Kahlo é considerada por muitos especialistas como um dos grandes nomes do surrealismo. Ironicamente, ela nunca aceitou tal definição, pois ela dizia que não pintava sonhos, mas sim a própria realidade.  

Entre suas muitas obras, destacam-se o grande número de autorretratos que ela fazia, muitos deles simbolizando aquilo que ela sentia ou estava passando. Isso começou após um acidente que ela sofreu em 1925, que a deixou um longo período de cama.  

Como Frida estava entediada e com movimentos limitado, seus pais adaptaram um cavalete e trouxeram material para pintura. Juntamente com isso, instalaram diversos espelhos no quarto, para que ela pudesse se ver de diversos ângulos. Inclusive há uma frase famosa dela para explicar os recorrentes autorretratos: 

“Pinto a mim mesma porque sou sozinha e porque sou o assunto que conheço melhor” 

Finalmente, entre eles, temos o tema de nosso artigo de hoje, a obra “Meus Avós, Meus Pais e Eu”.  

O contexto para a criação de “Meus Avós, Meus Pais e Eu”

Uma de suas obras-primas, esta pintura data do ano de 1936, mas idealizada ainda em 1935, pouco tempo depois da criação das “leis de Nuremberg” na Alemanha Nazista de Adolf Hitler. Entre elas havia a proibição do casamento entre judeus e alemães. 

Tal fato deve-se a questão de que o pai de Frida Kahlo tinha origem judaico-alemã. Ou seja, havia toda uma simbologia de desafio político ao criar uma obra como “Meus Avós, Meus Pais e Eu”. Especialmente pelo fato que ela mostra não apenas a união tida como proibida, mas também o lado mexicano por parte de sua mãe, indo contra a “raça pura” pregada por Hitler. 

Análise da obra

Primeiramente o que chama atenção é a superfície na qual a obra foi feita. Ao invés de uma tela, ela foi feita sobre uma base de zinco. Ela usou como referência os “retablos” mexicanos, que sempre a fascinaram.  

Para quem não conhece, eram pequenas pinturas coloridas à óleo, feitas em estanho. Elas datam do final do século XVIII. Já “Meus Avós, Meus Pais e Eu” além deste tipo de tinta, também conta com a têmpera.  

Ela traz diversas simbologias juntas. Por exemplo, a árvore genealógica em que estão os avós de Frida Kahlo, também nos remete ao formato do útero feminino. As fitas que descem até as mãos de Frida, foram pintadas de forma a lembrar o sangue circulando, fazendo uma analogia aos laços de sague dela com os antepassados. 

Reforça-se isso ao observarmos os pais de Frida. A mãe dela, apesar de estar vestida como em uma foto de casamento, mostra já ela dentro de seu ventre, ligada pelo cordão umbilical, na mesma cor da fita que a menina segura.  Um fato curioso é observarmos que ela pintou sua versão criança de forma a ficar muito maior que a casa, mas de forma a reforçar suas raízes com a terra.  

Em “Meus Avós, Meus Pais e Eu”, ela ainda aparece em uma terceira situação. Entretanto ela é muito mais simbólica, pois podemos ver ao lado esquerdo da menina um feto sendo fecundado por um espermatozoide. Vale observar ainda que ela procura retratar com precisão seus antepassados, pois é até possível ver que foi de sua avó paterna que ela herdou as grossas sobrancelhas. 

Por fim, vale observar o cenário ao fundo. Frida pintou do lado dos avós maternos, uma cena que nos remete a topografia do México. Já do lado dos avós paternos, temos o oceano atlântico, local por onde eles chegaram ao país. 

Curiosidades 

  • Os avós maternos de Frida Kahlo eram o índio Antonio Calderón e a sua esposa Isabel González y González. Já os paternos eram os europeus Jakob Heinrich Kahlo e Henriette Kaufmann Kahlo. Para quem não sabe, o nome completo da pintora é: Magdalena Carmen Frida Kahlo y Calderón; 
  • O local em que a criança Frida está é a Casa Azul. Lá ela nasceu, cresceu, viveu com seu marido Diego Rivera e foi também o local de sua morte. Posteriormente, em 1958 cederam o lugar para tornar-se o Museu Frida Kahlo, que existe até hoje.
  • O quadro “Meus Avós, Meus Pais e Eu” foi apresentado pela primeira vez em uma exposição solo da artista na Julien Levy Gallery, em Nova York, em 1939. Posteriormente o psiquiatra Allan Roos o comprou e algum tempo depois o ofereceu como doação ao MoMa, onde está exposto até hoje

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