Conheça Miró, referência do surrealismo - ABRA Academia Brasileira de Arte -

O surrealismo foi dos principais responsáveis por grande parte dos principais nomes da pintura no século XX. Entre eles, destacaremos hoje Joan Miró, que viveu de 1893 a 1983 e trouxe diversas obras que hoje são referência deste movimento, que também contou com nomes como Salvador Dalí e Picasso. 

Joan Miró: artista, apesar de seus pais 

Natural da Catalunha (mais especificamente de Barcelona), ele vinha de uma família bem estabelecida na região. Tradicionalista, ela valorizava trabalho, disciplina e conforto material. Sendo assim, Miró teve dificuldades para conseguir seguir sua paixão, já que as artes não eram bem-vistas por essa classe social na época.  

Ele sentiu sua primeira paixão pela arte ainda na infância, quando visitava parentes em Tarragona e Palma de Maiorca, quando realizou seus primeiros desenhos. Ele largou a escola em 1907, aos 14 anos, pois não se interessava pelos estudos tradicionais. Os pais tentam encaminhá-lo para carreira no comércio, mas ele ao mesmo tempo se matricula na Escola de Belas-Artes de Barcelona. 

Isso desagradou seus pais, que em 1910 tentaram novamente arrumar uma carreira para ele, mas desta vez na área de contabilidade. No entanto, essa atitude acabou prejudicando Miró, que abalado, teve depressão e tifo. Após ser enviado a Tarragona para se recuperar, ele finalmente consegue seguir nas artes, agora na Academia Galí. 

O início da carreira 

Finalmente tendo o consentimento dos pais, em seus estudos ele tem contato com as últimas tendências artísticas europeias. Ele realizou sua primeira exposição ainda em 1918 (um ano antes de se formar). Já em 19, ele vai para Paris, onde conhece Pablo Picassso. Lá ele tem contato com vertentes do modernismo como o dadaísmo e o Fauvismo.  

Finalmente, Miró resolve se mudar para Paris em 1921 e lá conhece um dos criadores do movimento surrealista, André Breton. Já sob influência do surrealismo e misturando com o estilo muito encontrado na arte catalã, Miró cria suas duas obras mais importantes desta fase: “Maternidade” e “O Carnaval de Arlequim”, ambas de 1924. 

Miró

Em ambas podemos destacar mais dessa “arte catalã”, ou seja, o uso de cores primárias, todas fortemente delineadas em preto, com um campo ao redor sombreado. Além disso temos o tratamento moderno do espaço como uma superfície plana, ao invés da tradicional ilusão de profundidade na obra. 

Miró e o surrealismo 

Ele adentrou de vez no movimento em 1926, quando participou da primeira exposição voltada para o surrealismo. Nesta época (entre 25 e 27) ele criou obras que ficaram conhecidas como “pinturas oníricas”. Foi uma fase de trabalhos mais simples, em que ele entrava mais em contato com a abstração. Destaca-se o uso de manchas, círculos de cor, arabescos ou pinceladas simples 

Em 1928, já de volta ao movimento, destacam-se as obras “Interiores Holandeses I” e “Interiores Holandeses II”. Em meio à crise de 29, Miró deixa de lado um pouco a pintura e foca-se em outras expressões artísticas como colagem e desenhos. Foi quando se casou com Pilar Juncosa, no período que vivia entre Paris e Barcelona (inclusive sua única filha Delors, nasceu na Espanha em 31). 

Ele chega a morar novamente em Barcelona, mas foge para Paris por conta da Guerra Civil Espanhola em 1934. Os horrores da guerra e da posterior ditadura de Franco interferem diretamente na sua obra. Um dos grandes destaques fica para o painel “O Ceifeiro”, que ele expôs junto com Guernica de Pablo Picasso na Exposição Internacional de Paris. 

Miró

No entanto, a tragédia espanhola acabou eclipsada com o início da Segunda Guerra Mundial. Paris deixou de ser um local seguro e Miró passou pela Normandia, em uma casa de campo e na sequência ficou temporariamente em Maiorca. Posteriormente se estabeleceu novamente em Barcelona, no ano de 1942.  

Finalmente reconhecido no mundo da arte, sua fama vai além-mar 

Os anos 40 marcaram o reconhecimento artístico de Miró, que ganhou fama especialmente nos EUA. durante o período de fuga da guerra, ele pintou a série chamada “Constelações”, que são 23 pequenas pinturas em papel. Em seguida, em 1944 ele inicia-se em escultura e cerâmica. Três anos depois, ele realiza sua primeira viagem internacional. 

Em três ocasiões nos Estados Unidos em 1947, ele causou forte impressão entre os jovens pintores. Um ano depois, já de volta a Paris (local que sempre o fascinou), ele realizou uma exposição na Galeria Maeght, que foi um grande sucesso.  

Entretanto, ele sentia que faltava alcançar o grande público com suas obras. Para conseguir isso ele criou litogravuras, gravuras, desenhos e utensílios de uso popular, como vasos e pratos de cerâmica. Os reconhecimentos passaram também a vir em forma de premiações. 

Primeiro foi em 1954, quando ele venceu o grande prêmio de gravura da Bienal de Veneza. Logo Após, em 1958, venceu Prêmio Internacional da Fundação Guggenheim com o mural que fez para a UNESCO em Paris.  

Miró

Legados de Miró para posteridade 

Como pintor estabelecido, Miró viveu as últimas décadas de sua vida trabalhando ativamente no mundo da arte. Em 1963 chegou a ter uma exposição com todas suas obras no Museu Nacional de Arte Moderna de Paris. Posteriormente ele construiu seu próprio estúdio em Maiorca, aonde ia sempre que queria trabalhar de forma tranquila. 

Contudo ainda havia algo que incomodava Miró, pois ele queria defender a cultura catalã, que havia sido sufocada durante a ditadura franquista. Ele então inaugura a Fundação Miró em Barcelona em 1975 (mesmo ano da morte do general Franco).  

Depois que conseguiu criar algo que possibilitasse a manifestação da cultura catalã e já um octogenário, Miró seguiu trabalhando em novas técnicas de arte. Em 1980 recebe do rei Juan Carlos a medalha de ouro de Belas Artes. Nesta época ele já trabalhava com técnicas de monotipo e criou seu primeiro vitral aos 86 anos.  

Faleceu em 25 de dezembro de 1983, deixando um imenso legado de obras dos mais variados tipos.  

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