Semana de Arte de 22: as revoluções causadas por este evento centenário Academia Brasileira de Arte -

O ano de 2022 é especialmente importante para a arte brasileira. Isso porque temos o centenário da “Semana de Arte Moderna de 22”. Este foi, sem dúvida o principal movimento artístico do Brasil, pois além de contar com grandes nomes de diversas áreas da cultura brasileira, representou um rompimento com os antigos valores estéticos presentes na sociedade da época.  

Hoje traremos um pouco mais sobre o que foi esse movimento e o porquê ele foi tão importante para história da nossa arte. 

Semana de Arte de 22: um rompimento com a cultura europeia  

O ano de 1922 era marcante para o Brasil, pois completava-se um século de sua independência de Portugal. No entanto, a cultura do país ainda sofria forte influência do estilo clássico europeu. Isso era notado em todas as áreas, da pintura à literatura e poesia. Mas já havia insatisfação dos artistas brasileiros, desejosos por criar uma identidade própria nacional  

Só que o embrião da realização do evento, veio cinco anos antes, em 1917 com Anita Malfatti. Foi neste ano que ela realizou a primeira exposição modernista brasileira. Suas obras, influenciadas pelo cubismo, expressionismo e futurismo, escandalizaram a sociedade da época, contando com críticas inclusive de Monteiro Lobato.  

No entanto, o efeito de toda a crítica sobre o evento, serviu como inspiração do que viria no centenário da independência. Diversos artistas, das mais diferentes áreas se juntaram e com Di Cavalcanti, um dos principais idealizadores e que criou o pôster do mesmo, para organizar a semana de arte de 22, que ocorreu entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922.   

Semana de arte de 22: muitos caminhos, mas nenhum padrão  

Catálogo e cartaz da Semana de Arte de 22, por Di Cavalcanti 

A ideia de uma liberdade total de experimentação dentro do evento, fez com que ele soasse confuso para muitos. Ele não contava com um programa definido, mas ainda sim englobava algumas atividades principais. A se destacar:  

  • exposição de pinturas; 
  • exibições de música e de dança;  
  • palestras sobre arte moderna;  
  • leitura de poemas complexos.  

Inclusive este último, rendeu a primeira grande polêmica do evento, pois na sua abertura Ronald de Carvalho, ao recitar o poema “Os Sapos”, escrito por Manuel Bandeira, teve como reação da plateia desaprovação, através de vaias e gritos.  

Para muitos, a Semana de Arte de 22 era também uma forma de protesto, um desejo naquele centenário, de parar de valorizar a suposta superioridade da arte europeia. Inclusive o próprio Di Cavalcanti tem uma frase emblemática sobre o tema:  

“Seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista”. 

O evento como todo chocou a sociedade conservadora da época, que naturalmente reagiu com escárnio e raivosas críticas ao que ocorria ali. Contudo, profundas mudanças viriam na esteira dessa revolução que ocorria no Theatro Municipal de São Paulo.  

Conheçam os principais nomes que participaram da Semana de Arte de 22:  

  • Artes Plásticas: Anita Malfatti (pintora), Di Cavalcanti (pintor), Vicente do Rego Monteiro (pintor), Inácio da Costa Ferreira (caricaturista, desenhista e ilustrador), John Graz (pintor), Alberto Martins Ribeiro (pintor), Oswaldo Goeldi (pintor), Victor Brecheret (escultor), Hidelgardo Leão Velloso (escultor), Wilhelm Haarberg (escultor);  
  • Música: Heitor Villa-Lobos (músico), Guiomar Novais (músico), Frutuoso Viana (músico),Ernâni Braga (músico);  
  • Arquitetura: Antônio Garcia Moya (arquiteto), Georg Przyrembel (arquiteto);  
  • Literatura: Mario de Andrade (escritor), Oswald de Andrade (escritor), Sérgio Milliet (escritor, pintor e poeta), Plínio Salgado (escritor), Menotti del Picchia (escritor), Ronald de Carvalho (poeta e político), Álvaro Moreira (escritor), Renato de Almeida (escritor), Guilherme de Almeida (escritor), Ribeiro Couto (escritor);  
  • Artes cênicas: Eugênia Álvaro Moreyra (atriz e diretora de teatro).   

O legado   

Primeiramente é preciso entender algumas das principais características presentes na Semana de Arte de 22, como por exemplo:  

  • Valorizar a identidade nacional;  
  • Liberdade de expressão;  
  • Uso de novos materiais e técnicas;  
  • Influência dos movimentos de vanguarda, como o cubismo e surrealismo;  
  • Descobertas estéticas;  
  • Crítica aos padrões obsoletos;  
  • Autonomia de criação.  

De maneira geral, a importância do evento ficou mais evidente nos anos seguintes, pois ele serviu como embrião para movimentos que trariam importante revoluções na arte modernista brasileira. Por exemplo: o Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico.  

Além deles, as ideias modernistas presentes na Semana de 22 eram propagadas através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon. Elas serviam como forma de expandir e divulgar as ideias do movimento. Por fim, podemos citar dois movimentos que ocorreram muito depois, mas contam com forte inspiração do ocorrido no evento: a Bossa Nova e o Tropicalismo.