Beeple: conheçam mais do artista digital mais valioso do mundo Academia Brasileira de Arte -

A arte digital, como dissemos anteriormente, é bastante abrangente e inclui as mais variadas opções de carreira. Contudo, ela como uma carreira em si (no caso, artistas que vivem de vender sua arte) apenas mais recentemente ganhou força. Atualmente, um de seus maiores expoentes é Mike Winkelmann, mais conhecido como “Beeple”. 

O início de Beeple e seu projeto “Everyday” 

Mike Winkelman nasceu em 1981 e cresceu em North Fond du Lac, Wisconsin. Ao contrário do que muitos podem imaginar, sua formação não foi em nenhuma área de arte, mas sim em ciências da computação.  

Seu início nas artes foi em 1 de maio de 2007, quando postou pela primeira vez um trabalho online. Inicialmente feito com papel e caneta, ele postou outro no dia seguinte, no outro também… o ousado projeto leva o nome de “Everyday” e consiste em postar todo dia uma arte diferente. 

Posteriormente suas artes foram evoluindo, contando hoje com trabalhos feitos principalmente com desenhos 2D, em estilo CGI. Um fato curioso é que ele investia em tipos diferentes de produções por ano. Por exemplo, em 2012 ele fez todas suas obras utilizando o Adobe Illustrator e em 2015 o Cinema 4D. 

Ele já rendeu situações inusitadas para Beeple, como postar suas obras no dia do seu casamento ou mesmo no nascimento de seus filhos. Esse projeto ininterrupto (já são 14 anos direto), passou a atrair seguidores na rede, tornando ele uma celebridade no mundo digital.  

Por exemplo: atualmente ele conta com mais de 2,5 milhões de seguidores no Instagram e + de 600 mil em Facebook e Twitter. Destacar isso é especialmente importante para entender como ele acabou conhecido fora do meio digital. 

Louis Vuitton e NFTs: o começo do reconhecimento fora das redes 

A popularidade crescente dele na internet e o trabalho já longevo de Beeple, não passaram despercebidos pela gigante da moda Louis Vuitton, que em 2019 usou na sua coleção de prêt-à-porter Primavera/Verão. Contudo, até pela forma como muitos artistas digitais ainda eram vistos, seguia-se sendo um nome predominante mais dentro de seu nicho. 

Só que com o crescimento das NFTs e o negócio que muitos passaram a ver nesse mercado, começou a tornar famosas obras e consequentemente artistas digitais, que poderiam negociar suas criações como “únicas”, mediante a vinculação do arquivo na tecnologia blockchain, também usada pelas criptomoedas.  

Até então, Beeple ainda não havia comercializado suas obras neste modelo, mas passou a estudar o sistema e fez suas primeiras vendas no final de 2020. As primeiras foram em novembro, mas ele viu o real potencial do mercado em um fim de semana de dezembro, quando conseguiu US$ 3,5 milhões de dólares em um leilão. 

Segundo o New York Times, ele leiloou várias edições de três obras de arte digitais, cada uma ao preço de US$ 969, e 21 obras únicas, a maioria vendida por cerca de US$ 100.000 cada.  

Os leilões milionários na Christie’s  

Isso fez com que ele criasse a obra “EVERYDAYS: THE FIRST 5000 DAYS”, que fazia uma compilação (sem ordem cronológica) das obras dos primeiros 5 mil dias do projeto. Para fazer este leilão, a escolhida foi a famosa casa de leilões Christie’s.  

EVERYDAYS: THE FIRST 5000 DAYS

Chamou a atenção pelo fato de ser a primeira obra 100% digital a ser leiloada na casa. O resultado veio em 11 de março de 2021, com ela sendo arrematada por incríveis US$ 69,4 milhões de dólares. O comprador foi um homem de Cingapura, conhecido como Metakovan (alcunha de Vignesh Sundaresan), que pagou a obra com a criptomoeda Ether (da plataforma Ethereum, onde são registradas todas as NFTs). 

Foi também a primeira vez que a Christie’s aceitou pagamento em criptomoedas. Posteriormente ela leiloou outra obra de Beeple, chamada “HUMAN ONE”, esta por um valor um pouco menor, mas igualmente impressionante: US$ 28.9 milhões de dólares. 

A obra é bem inovadora, pois como o próprio artista falou trata-se do “primeiro humano nascido no metaverso”. Para entender melhor, o chefe de vendas da Christie’s, Noah Davis, deu mais detalhes: 

“O herói da obra é um astronauta solitário, sempre caminhando pelas ruínas de um mundo vagamente familiar, repleto de ícones pop gigantes em vários estados de decadência ou perversão, pontuado por ocasionais borrifos de flora, trechos desolados de dunas de areia e alguns acenos para alguns dos titãs da História da Arte.” 

imagem da obra HUMAN ONE

Para garantir que as obras presentes dentro de “HUMAN ONE” sigam evoluindo ao longo do tempo, Beeple terá acesso remoto a obra, assim como seu controle criativo para sempre 

A visão de Beeple sobre os NFTs 

Apesar do retorno excepcional sobre o valor de suas obras, Mike Winkelmann não se deslumbra com o mundo dos NFTs, ainda que veja muitos pontos positivos. Primeiramente, ele explicou que em todas as obras que vendeu, lhe trazem um rendimento de 10% no mercado secundário. Costuma ser um padrão no mercado das NFTs, especialmente pelo seu caráter especulativo. 

As próprias obras de Beeple são vendidas pensando em um lucro com possível revenda (como aliás acontece com grande parte das obras neste meio). Dentro de toda essa relação financeira, ele destaca a importância dessa verdadeira mudança de paradigmas dentro do mundo da arte, que fez com que arte digital fosse vista finalmente como arte real. 

Ele mesmo fala sobre como por muito tempo ele sentiu-se rejeitado pelo mundo da arte. Contudo, ele vê especialmente esses leilões na Christie’s como uma espécie de “validação” para suas obras. Ele ainda revelou que logo após receber, converteu tudo em dinheiro real. Por fim, falou sobre sua visão sobre o mercado das NFTs, em entrevista ao Fox News Sunday: 

“Eu acho que é uma bolha, para ser bem honesto. Volto à analogia do início da internet. Houve uma bolha e a bolha estourou… mas não acabou com a internet. E assim a tecnologia em si é forte o suficiente para que eu pense que sobreviverá a isso.” 

Estilo de Beeple 

Por fim, vale observar um pouco sobre seu estilo. Ele destacou que em seu estúdio tem duas TVs, uma na CNN e outra na Fox, mas no mudo. Ele cria muitas de suas obras baseadas em acontecimentos do dia a dia, trazendo uma visão de mundo distópica e futurista. Tanto que se vale de máquinas ou robôs em muitas delas. Além disso, traz regularmente figuras da cultura pop e imagens impactantes.

Inicialmente ele fazia obras apenas com caneta e papel, como citamos anteriormente. Porém, atualmente ele se utiliza principalmente da arte digital 2D no seu projeto Everyday. 

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