Têmpera: a técnica que usa gema de ovo na tinta Academia Brasileira de Arte -

O mundo das artes ao longo da história, contou com muitas técnicas de pintura como sendo as mais usadas em determinados períodos. Como falamos anteriormente sobre a técnica com tinta à óleo, esta teve seus primeiros registros no Afeganistão, no século IX, mas passou a se usar em larga escala especialmente na fase do renascimento. Até então, a têmpera era dominante entre os artistas. 

Hoje falaremos um pouco mais sobre ela, que ainda conta com muitos simpatizantes, especialmente artistas que gostam de produzir a sua própria tinta. 

O que é a técnica da têmpera? 

A origem da palavra é do italiano “temperare”, que significa misturar, juntar (é a mesma origem da palavra tempero). Nesta técnica utiliza-se uma tinta feita a partir da mistura do pigmento com um aglutinante feito a partir da mistura de água e, normalmente, gema de ovo. Isso porque às vezes também utiliza-se o ovo inteiro, mas o mais comum é descartar a clara. 

Entretanto, não é indicado usar apenas o pigmento e a gema de ovo, pois além de secar rápido demais, pode rachar quando seca. Por isso usa-se sempre um agente, sendo os mais comuns:  

  • Vinagre, mas apenas algumas gotas, junto da água, na proporção de 1 parte de gema para cada 3 de água; 
  • Vinho branco, mas este sem a necessidade de água e misturado na proporção de 1 parte de gema para cada 2 de vinho. 

Há ainda a têmpera grassa, que também vai óleo. Ela fica na proporção de 1 pra 1 de gema e óleo e dá os efeitos da cor da tinta à óleo, mas não pode ser pintada com espessura. 

Origem 

Os primeiros registros do uso da têmpera vêm do Egito Antigo em decorações de sarcófagos. Neste período há uma mistura entre esta e a técnica encáustica. Posteriormente temos relatos do seu uso nas Cavernas de Bagh na Índia, na sinagoga Dura-Europos na Síria, entre outros lugares do Oriente Médio.  

Primeiros registros do uso da têmpera em Fayun, no Egito

Ela chegou como um substitutivo a já citada pintura encáustica. Usou-se em larga escala no império Bizantino (por onde provavelmente chegou na Europa), na Europa Medieval, além do começo da renascença. Inclusive boa parte dos painéis de Michelangelo são feitos com a técnica da têmpera. 

Só que mesmo durante o Renascimento, começamos a ter a gradativa substituição dela pela tinta à óleo. Demorou alguns séculos até que artistas voltassem a usar a têmpera em maior escala. Foi entre o século XIX e XX com os pré-rafaelitas, realistas, entre outros movimentos. Até hoje temos ao redor do mundo muitos usuários desta técnica. 

O Nascimento de Vênus também usou a técnica da têmpera

Já no Brasil, talvez o maior expoente do uso da técnica tenha sido Alfredo Volpi, pois ele gostava da característica artesanal. Inclusive, boa parte das tintas de suas obras foram criadas por ele próprio. 

Como pintar com a técnica da têmpera? 

Ela é uma técnica bastante peculiar, que exige certos cuidados para que o resultado final fique como se espera. Em primeiro lugar, falamos de uma tinta não flexível, que requer locais rígidos para sua aplicação. Ou seja, placas (como de MDF), painéis, gesso, entre outros. Caso se use em uma tela, depois de seca, ela acabará rachando e caindo lascas da tinta. 

Após preparada, não dá para armazenar, fazendo necessário que se use naquela hora. Além disso, enquanto se pinta, deve-se sempre ajustar a mistura entre a água e a gema. Dessa forma, evita-se que ela fique oleosa ou aquosa demais.  

Para aplicar, faz-se em camadas semi-transparentes, com pequenas pinceladas. Porém, falamos de uma tinta que não mostra uma saturação de cor, como na tinta à óleo. Isso porque, além de não poder ser aplicada em camadas grossas, ela não retém grande carga de pigmento. Sendo assim, temos um acabamento fosco suave quando pronto. 

Ela conta com uma vantagem grande em relação a tinta à óleo: ela não perde a cor, nem amarela ou escurece com o tempo. Finalmente, há uma questão que muitos podem se perguntar, que é a questão do cheiro que usar ovo como aglutinante pode deixar.  

Historicamente, tivemos o caso do uso de mirra líquida misturada nos painéis e paredes que pintavam em igrejas. Por outro lado, Alfredo Volpi misturava cravo nas suas tintas para deixar um odor mais agradável.  

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