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Ivald Granato: Um artista, muitas facetas

Descubra as múltiplas facetas de Ivald Granato, um dos maiores nomes da arte de vanguarda brasileira. Conheça sua trajetória, suas obras inspiradas em Picasso e na Pop Art, e sua histórica participação na arte performática com Mitos Vadios

Ivald Granato, que nos deixou em 2016, se destacou por ser alguém versátil demais para caber em um único movimento ou projeto artístico. Pintor, desenhista, escultor, performer e grande agitador cultural, ele foi uma figura importante em diversos movimentos de vanguarda do cenário artístico brasileiro.

Vamos entender um pouco mais sobre essa trajetória e sobre como Granato transitou por diferentes linguagens e formas de expressão, além de conhecer algumas de suas obras e performances mais famosas.

As múltiplas inspirações de Ivald Granato

Talvez um dos aspectos mais interessantes sobre ele seja que nunca fez questão de se prender a um único estilo. Entre algumas das principais influências que podemos encontrar em suas obras, estão:

  • Expressionismo
  • Fauvismo
  • Cubismo
  • Pop Art

Entre os nomes que mais o inspiraram, temos Robert Newman, que foi seu professor, Andy Warhol, Francis Bacon e até Leonardo Da Vinci em determinado momento, como na série Heads, de 2000.

Mas talvez nenhum tenha tido tanto impacto nas obras de Granato quanto Pablo Picasso. Ele ganhou um livro do artista de seu avô quando era criança e, ao longo de sua carreira, podemos encontrar diversas obras que contam com referências ao espanhol, como na série "Quem é você – The Mask?".

Um fato curioso é que essas obras também têm forte influência da arte africana, especialmente das máscaras, exatamente como aconteceu com Pablo Picasso, que comentou em diversos momentos sobre como essas criações impactaram suas pinturas.

Tanta variedade se devia à sua característica exploratória, tanto que ele nunca fez questão de se prender a um único movimento artístico, sendo, em alguns momentos, crítico deles.

Segundo Ivald Granato, em determinado momento eles deixaram de trazer seu caráter crítico e passaram a ter um foco muito mais mercadológico, principalmente porque muitos artistas não gostariam de se indispor com quem poderia, eventualmente, financiá-los.

A Arte performática

Em determinado momento da carreira de Ivald Granato, ele passou a considerar o ateliê um espaço muito limitado para explorar sua visão artística, que era muito mais voltada para a liberdade.

Por conta disso, passou a participar de grupos de arte performática, sendo a Banda Performática um dos mais famosos. O grupo contava com diversos nomes históricos da arte e da música brasileira, como:

  • José Roberto Aguilar (fundador)
  • Arnaldo Antunes
  • Paulo Miklos
  • Lanny Gordin
  • Nuno Ramos

A banda teve ainda outros grandes nomes como participantes de apoio ou em apresentações pontuais. Ela se destacava por apresentações em que dançarinas e performers pintavam o próprio corpo enquanto a banda tocava.

O grupo, fundado nos anos 1980, chegou a se reunir novamente nos anos 2000, mas com outros integrantes.

Além desse projeto, do qual participou de forma regular, Granato também realizou diversas performances que ganharam destaque ao longo de sua carreira. Entre elas, a mais famosa talvez seja Mitos Vadios, de 1979.

Hector Babenco, Ivald Granato e Raquel Arnaud na performance “Mitos Vadios”

Tratou-se de uma paródia crítica e irreverente da 1ª Bienal Latino-Americana, que acontecia no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, com o título Mitos e Magia. Curiosamente, essa foi a primeira e única edição da bienal.

Na performance, Granato apareceu travestido de Ciccillo Matarazzo Sobrinho, enquanto Lygia Pape estava caracterizada como Yolanda Penteado, mulher de Ciccillo. Os dois simularam uma avaliação de obras em um estacionamento na Rua Augusta.

O evento reuniu diversos nomes importantes da arte brasileira, principalmente da arte performática, como Hélio Oiticica, José Roberto Aguilar, Marta Minujin, Gabriel Borba, Regina Vater, Ubirajara Ribeiro e muitos outros.

A versatilidade nas obras de Ivald Granato

Como destacamos, uma das coisas mais marcantes na carreira do artista foi o fato de ele conversar com os mais diversos movimentos e estilos artísticos. Agora, vamos trazer mais alguns exemplos de obras marcantes que nos mostram isso.

Primeiro temos a obra “Gata”, de 1982, que traz uma criação de Granato com forte inspiração na Pop Art, especialmente pelo uso de cores contrastantes em sua criação.

A segunda é a série “The Mask”, de 1998, que posteriormente deu origem a “Quem é você – The Mask”. A principal diferença entre elas está justamente nas referências. A primeira traz como inspiração as máscaras que Granato via na infância, durante os blocos de carnaval.

Já “Quem é você – The Mask” apresenta uma arte um pouco mais madura e com forte referência às máscaras africanas, relacionadas também à ancestralidade do artista.

Uma das obras da série Quem é você – The Mask

Temos ainda a performance “Disparate”, que ele fez junto do artista suíço Luciano Castelli, em que eles ficaram em um cubo de plástico transparente instalado dentro da Galeria Subdistrito.

Ali, ambos fizeram uma performance partindo da referência à intensidade corporal, ao automatismo e ao transe criativo característicos de Jackson Pollock, pintando freneticamente as superfícies ao redor de si mesmos.

O único problema é que, infelizmente, não se tem fotos ou registros desse evento, nem mesmo do encarte “Disparate”, que fazia parte da mesma mostra e continha as diversas obras presentes no local.

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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA