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Asterix e Obelix: fatos e curiosidades de um fenômeno dos quadrinhos

Descubra os segredos por trás de Asterix e Obelix! Com mais de 400 milhões de cópias vendidas, os irredutíveis gauleses conquistaram o mundo. Explore fatos históricos e curiosidades sobre uma das maiores obras dos quadrinhos europeus.

Próximo de completar 70 anos desde seu lançamento, Asterix continua uma obra atemporal. A história dos irredutíveis gauleses que defendem sua pequena aldeia contra o poderoso Império Romano de Júlio César atravessa gerações e se consolida como um dos quadrinhos europeus de maior sucesso do período.

Para termos uma ideia dessa dimensão, As Aventuras de Tintim, de Hergé, vendeu cerca de 300 milhões de exemplares desde seu lançamento. Já Asterix ultrapassa a marca de 400 milhões. Ainda assim, é possível dizer que Tintim ajudou a pavimentar o caminho para que o trabalho artístico criado por René Goscinny e Albert Uderzo se tornasse um dos primeiros grandes fenômenos globais dos quadrinhos fora dos Estados Unidos.

A seguir, traremos alguns fatos que ajudam a entender o sucesso e a longevidade dessa publicação.


1 – Uma criação que levou apenas duas horas



Muitas vezes se imagina que grandes ideias vêm de longos planejamentos ou debates entre os autores, mas, no caso de Asterix, foram apenas duas horas para que tudo fosse definido.

Faltavam apenas 60 dias para o lançamento da revista Pilote, e René Goscinny, que era roteirista e editor do semanário, queria algo ligado ao folclore ou à história francesa. Albert Uderzo começou a sugerir ideias que iam desde o Paleolítico, até que chegaram ao período da Gália (região que hoje corresponde, em parte à França, Bélgica e Itália) habitada por povos celtas (ali conhecidos como gauleses) que permaneceram ali por séculos, até serem subjugados pelo Império Romano.

O processo criativo foi tão ágil que, nesse curto intervalo, eles já haviam definido não apenas a ideia central, mas também o protagonista e os personagens da aldeia.


2 – Referências históricas marcam a obra


Apesar das muitas licenças poéticas presentes na criação, grandes nomes da época aparecem com um contexto relativamente próximo do real, como o próprio Júlio César, a rainha Cleópatra, entre outros.

Inclusive, a própria ideia por trás da aldeia gaulesa tem inspiração em uma figura histórica: Vercingetórix. Ele se destacou por liderar uma grande resistência contra César, mobilizando diversos povos da região em defesa de sua independência.


Estátua de Vercingetórix em Alésia


Após uma série de batalhas e cercos — que se estenderam por cerca de um ano, com o próprio Júlio César à frente das legiões romanas —, o conflito culminou no cerco de Alésia. Vercingetórix rendeu-se, foi mantido prisioneiro por seis anos e, posteriormente, executado.


3 – Os estereótipos da obra


Toda essa referência ao herói gaulês Vercingetórix também dialoga com uma visão anti-imperialista, parte marcante da cultura francesa. Isso ajuda a explicar a forma como a obra retrata as mais diversas influências externas.

Esse traço aparece claramente na maneira estereotipada como diferentes povos são representados, como bretões, germânicos e os próprios romanos. No entanto, engana-se quem pensa que os próprios franceses ficaram de fora, já que também são retratados como uma espécie de caricatura de si mesmos.

A própria concepção dos protagonistas parte dessa lógica. Em determinado momento, houve uma divergência entre os autores: Uderzo imaginava um personagem grande e forte, alinhado ao estereótipo dos gauleses, enquanto Goscinny preferia alguém pequeno, justamente para gerar contraste e humor.



O resultado foi um equilíbrio entre as duas ideias: Asterix é pequeno, aparentemente frágil e com traços exagerados (como seu narigão), enquanto Obelix é grande e naturalmente forte, consequência de ter caído no caldeirão de poção quando ainda era bebê.


4 – As diversas referências nos nomes dos personagens


A escolha dos nomes dos personagens traz diversas referências curiosas, como, por exemplo:

  • Asterix – tem origem na palavra grega aster, que significa estrela;
  • Obelix – vem da palavra obélisque (obelisco, em português) e significa monumento pontudo;
  • Panoramix – vem do grego pan (tudo) e horama (visão). Ou seja, é aquele que tudo vê, o que combina bem com o papel de um druida;
  • Abracurcix – este nome tem origem na expressão francesa à bras raccourcis, que significa “com braços encurtados”. O termo se refere à postura em uma luta: com punhos cerrados e braços erguidos.


5 – Sucesso multimídia


A popularidade de Asterix não se limitou aos quadrinhos. Há mais de uma dezena de animações baseadas nas mais diversas histórias — sendo a primeira delas Asterix, o Gaulês, lançada em 1967.

Além disso, a franquia também ganhou adaptações em jogos para diversas plataformas, atravessando diferentes gerações de consoles.

Também foram produzidos filmes em live-action, com destaque para Asterix e Obelix contra César, que contou com um elenco de destaque no cinema europeu, incluindo Gérard Depardieu — que interpretou Obelix em vários filmes — e Roberto Benigni no papel de César.



6 – Curiosidades sobre os autores


Algumas das curiosidades mais interessantes sobre Asterix estão ligadas aos seus criadores. Albert Uderzo, por exemplo, nunca coloriu diretamente as obras, pois era daltônico. Ainda assim, participou de nada menos que 34 obras da série, até se aposentar em 2011.

Inicialmente, ele afirmava que, após sua morte, a produção das histórias seria encerrada. No entanto, mesmo após seu falecimento em 2020, os quadrinhos continuaram a ser publicados.

Já René Goscinny, que morreu precocemente em 1977, era um roteirista extremamente versátil. Isso pode ser observado em suas diversas participações em outras obras, como Umpa-Pá, Iznogoud, O Pequeno Nicolau, além de sua longa colaboração nos roteiros de Lucky Luke.


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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA