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Frieren: por que essa jornada conquistou o público?
Descubra por que Frieren se tornou um fenômeno global ao inverter os clichês do RPG e focar em uma jornada emocionante sobre a passagem do tempo, memórias e a importância das relações humanas.
Frieren e a Jornada para o Além é um interessante caso de anime de nicho que fura a bolha e se torna um verdadeiro fenômeno. O que o torna tão especial é tanto a forma como aborda um tema relativamente clichê quanto o ritmo que a narrativa tem.
Para quem ainda não conhece a história, vamos trazer alguns fatos sobre o mangá e como sua adaptação para as telas acabou se tornando tão popular.
1 – A inspiração do autor em jogos de RPG
Kanehito Yamada já deu algumas declarações sobre a forte inspiração do mangá em jogos de RPG. Os grupos de aventureiros, as classes, os diferentes reinos e até mesmo a “aposentadoria” depois da vitória vêm de títulos muito populares, como as franquias Dragon Quest e Final Fantasy.
2 – Apesar do pano de fundo épico, o objetivo do autor era outro
Essa temática é extremamente popular entre os fãs de anime, que normalmente esperam grandes batalhas épicas quando encontram esse tipo de cenário. No entanto, o objetivo do mangaká não era focar nesses eventos, mas sim trazer uma reflexão a partir deles.
Ele utilizou essa base para explorar o peso das relações humanas e a importância de valorizar cada momento, especialmente ao ter como protagonista a elfa maga Frieren, cuja percepção do tempo é muito diferente da dos humanos.
3 – A história começa onde muitas obras terminam
Talvez para os brasileiros isso não seja uma ideia tão estranha, já que existe uma referência na literatura nacional: Memórias Póstumas de Brás Cubas, obra bastante conhecida por começar depois da morte de seu narrador. Ainda assim, não é comum em animes que a história se inicie depois do grande conflito principal.
No mundo de Frieren, o grupo da protagonista já derrotou o Rei Demônio e os antigos heróis agora vivem os anos de paz que conquistaram. A partir daí, acompanhamos Frieren revisitando memórias daquela jornada enquanto inicia uma nova viagem, agora com um olhar diferente sobre o tempo e as relações humanas.
4 – Uma narrativa lenta e com poucas batalhas
Quem espera grandes e frequentes batalhas, pode acabar se decepcionando. Isso porque, mesmo tendo lutas muito interessantes em alguns momentos, o foco da obra não está nelas, mas sim em todo o contexto que envolve os personagens.
Podemos acompanhar isso na própria forma como essa nova jornada de Frieren vai se desenvolvendo: ela não está apenas atrás de grandes magias ou confrontos épicos, mas também de pequenos feitiços curiosos, enquanto enfrenta monstros menores ao lado de sua aprendiz Fern e do guerreiro Stark.
5 – As magias têm mais um contexto filosófico do que de poder
Temos diversas magias poderosas na história, mas ao mesmo tempo vemos várias magias “bobas” sendo tratadas com igual importância por Frieren, especialmente por ajudarem a personagem a se reconectar com momentos que viveu no passado.
Entre os exemplos mais curiosos estão feitiços para limpar e deixar as roupas perfumadas, tornar uvas doces em azedas, deixar uma pessoa cheirosa, tirar a ferrugem de estátuas ou até transformar maçãs vermelhas em verdes.
Esse detalhe aparentemente simples acaba reforçando um dos temas centrais da obra: nem tudo precisa ser grandioso para ter significado.
6 – A valorização tardia dos momentos que viveu com seu grupo
Após a morte de Himmel, Frieren começa a passar por uma jornada de evolução pessoal. As lembranças, a forma como ela encara essa nova viagem, a coleta de magias que muitas vezes carregam um efeito nostálgico e o entendimento que passa a ter sobre os dez anos que levou para derrotar o rei demônio se tornam o verdadeiro foco da história.
Ao mesmo tempo, o autor faz questão de mostrar por que, até aquele momento, essas experiências não tinham um peso tão grande para ela. Como a passagem do tempo para Frieren é completamente diferente da de um ser humano — com mais de mil anos de vida, dez anos para ela podem parecer apenas um breve período — aquela jornada inicialmente parecia apenas mais um episódio em sua longa existência.
Com o passar do tempo, porém, ela começa a entender e valorizar tudo o que viveu. Esse processo também revela uma maior humanização da personagem, que começa a história bastante fria e distante, mas aos poucos passa a se mostrar mais aberta conforme a narrativa avança.
Inclusive, talvez tenha sido justamente essa mistura entre um universo que remete a batalhas épicas e uma narrativa muito mais contemplativa (somada ao trabalho primoroso do renomado estúdio Madhouse) que transformou Frieren em um verdadeiro fenômeno.
Mesmo abordando temas como passagem do tempo, memória e despedida, que muitas vezes são tratados de forma bastante pesada em outras histórias, a obra consegue fazer isso de maneira surpreendentemente acolhedora para quem acompanha a jornada da personagem.
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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA




