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GTA VI: onde está o limite entre realismo e diversão?
GTA VI promete ser o jogo mais realista da história. Saiba como a Rockstar está usando a técnica de fotogrametria e criando mecânicas como necessidade de combustível e simulador de namoros. Será que o foco no realismo vai atrapalhar a diversão?
GTA VI é certamente um dos jogos mais aguardados dos últimos tempos, especialmente pelo tempo de espera entre ele e seu antecessor, que já é de mais de 13 anos.
Anunciado ainda em 2023, ele contou com alguns atrasos por conta de refinamentos e correções e deve chegar em 19 de novembro de 2026, caso não haja nenhuma surpresa.
Diante de tanta especulação, dados vazados, imagens, detalhes sobre o processo de produção, entre outras informações, começaram a levantar discussões sobre o realismo no mundo dos games.
O processo de produção e a fotogrametria
Desde “GTA: Vice City”, a franquia se passa em Vice City, no estado de Leonida, regiões fictícias fortemente inspiradas em Miami e na Flórida, respectivamente. E, ao longo da série, eles sempre pegaram muitas referências de locais reais para criar os ambientes do jogo.
Vice City
Só que no VI, eles investiram ainda mais pesado na criação de ambientes por meio da fotogrametria. Trata-se de um processo bastante complexo e que pede um trabalho meticuloso de fotografia. Ele funciona da seguinte forma:
Os fotógrafos tiram múltiplas fotografias de um objeto ou cenário de diversos ângulos. Essas imagens devem ser de alta resolução e bem iluminadas para capturar todos os detalhes necessários. E, para garantir um modelo 3D preciso, as fotos devem cobrir todas as partes do objeto ou ambiente, sem deixar nenhuma área sem fotografar;
Nos programas especializados, o software identifica pontos comuns entre as imagens e os alinha automaticamente;
A partir do alinhamento das fotos, o software cria uma nuvem de pontos, que representa a geometria do objeto;
Essa nuvem de pontos é convertida em uma malha 3D altamente detalhada.
A partir disso, as texturas das fotos são projetadas nessa malha, conseguindo um resultado bem mais realista visualmente. Isso porque essa malha traz inclusive as imperfeições, como ruas quebradas, por exemplo.
Contudo, esse não é o modelo final, pois ele precisa, em muitos momentos, de uma redução no número de polígonos para melhorar o desempenho do game.
A produtora protege muito bem seu método de produção e que ferramentas utiliza nele. O que se sabe é que elas costumam ser integradas diretamente à sua própria engine de jogos, a RAGE (Rockstar Advanced Game Engine).
Para conseguir modelos tão precisos dos diversos locais, ao longo de muito tempo, diversos fotógrafos fizeram a captura de imagens de diversos locais de Miami, de prédios até mesmo de locais nos Everglades, para poder não apenas texturizar com precisão, mas também fazer construções precisas arquitetonicamente.
Grassrivers - região inspirada nos Everglades
O realismo além das imagens: quase um simulador da vida real
Até por conta do poder de processamento gráfico dos consoles da atual geração, os jogadores costumam ser extremamente exigentes com a qualidade e o realismo do jogo.
Só que, no caso de GTA VI, os desenvolvedores quiseram ir além e fazer praticamente um simulador da vida real. Quem deu mais detalhes sobre isso foi Rob Nelson, em uma entrevista recente ao criador de conteúdo TGG.
Inicialmente, é bom lembrar que uma das principais novidades do jogo é que os NPCs terão memória e atitudes personalizadas. Ou seja, além de lembrarem caso você faça algo a eles, cada um terá uma rotina única.
E, dentro desse contexto, Rob explicou que andar com um lança-foguetes, como era comum em outros jogos, já chamará atenção logo de cara. Inclusive, ele explicou que a quantidade de armas e a forma como as carrega também irá impactar.
Além de tudo, agora haverá uma limitação física, sendo possível carregar menos equipamentos, diferente dos jogos anteriores. Inclusive, Rob comparou com o GTA V, em que o jogador poderia sacar uma escopeta e nada acontecia com os NPCs, o que será diferente nesse novo título.
O jogo também terá elementos como medidor de descanso dos protagonistas, sendo que, se eles não dormirem o bastante, poderão ter certas funcionalidades prejudicadas.
Um elemento bastante polêmico será a necessidade agora de reabastecer os veículos. Ou seja, pode acontecer de o jogador roubar um carro, estar em perseguição e simplesmente ficar sem combustível.
Carros em GTA: falta de combustível será um problema real
Eles queriam ir tão além que, em determinado momento, foi cogitada pela equipe de desenvolvimento até mesmo a inclusão da necessidade de comprar mantimentos, mas esta acabou descartada no projeto final.
Simulador de namoro? O inusitado caso do relacionamento entre os protagonistas
GTA VI será o primeiro a trazer um casal protagonizando o game, Jason e Lucia. Só que o jogo não deixará o relacionamento deles ser simplesmente algo padrão como em outros jogos, em que isso será mostrado apenas em determinados eventos.
O casal Jason e Lucia
Na verdade, o jogador terá de investir no relacionamento deles com trocas de mensagens, dar atenção ao parceiro e até mesmo não traí-lo (como no caso das prostitutas de jogos anteriores e casas de striptease).
Rob Nelson explica que isso não impedirá o jogador de prosseguir, pois os eventos obrigatórios não serão prejudicados. Só que ainda não está claro até onde tudo isso irá impactar no final do game (e provavelmente deve impactar).
Inclusive, aqui é onde reside um dos maiores mistérios do jogo, pois muitos discutem como se dará a relação íntima dos dois, se eles poderão fazer algo a qualquer momento ou apenas em determinadas partes do jogo.
Tal discussão já rendeu problemas, como uma mecânica de “jogos sexuais” em GTA: San Andreas. Ela foi removida antes do lançamento, mas, como permaneceu nos arquivos do jogo, modders a reativaram, o que levou até mesmo a batalhas judiciais e recolhimento de cópias.
Por conta disso e para evitar a classificação “Adults Only”, que poderia prejudicar as vendas do game, a expectativa é que esse aspecto estará limitado a eventos leves, que possam ser mostrados para uma maior audiência.
Até onde o realismo pode atrapalhar a diversão dos jogadores?
Cenários precisos, imagens que quase parecem um filme, mecânicas de relacionamento realistas e até mesmo situações e reações como na vida real. Até onde isso é uma melhora na experiência e até onde isso passa a atrapalhar o simples ato de se divertir com um game?
Desde que começaram a ser revelados mais detalhes das mecânicas de GTA VI, como algumas que citamos acima, as reações dentro da comunidade gamer são mistas.
Para alguns, esse nível de imersão é o que tornará o jogo ainda melhor. Contudo, um número igualmente grande acredita que isso tirará justamente uma das grandes diversões dos jogos, que é desfrutar de uma liberdade e de fazer coisas que você não pode na vida real.
Atualmente, cada vez mais games investem nessa modalidade de “simulador”, trazendo elementos que o deixam muito mais próximos da vida real.
Isso pode ser visto especialmente em jogos esportivos, em que muitos deixaram aquela característica de arcade para se tornarem simuladores do jogo real. Porém, essa maior complexidade, ao mesmo tempo que atrai o jogador hardcore, também afasta aquele casual, que pouco pode fazer contra gamers com dezenas ou até centenas de horas a mais jogadas.
E, no caso de GTA VI, isso pode ser particularmente cruel para alguns fãs da franquia. Isso porque o jogo se notabilizou por dar a possibilidade de os jogadores criarem o caos no mundo, seja com armas pesadas, com veículos como tanques, entre outros.
Talvez, tirando esse elemento, que para muitos era até mais importante que a própria história do jogo, o game pode se tornar extremamente sem graça e maçante. Por outro lado, pode ser que ele atraia um novo tipo de jogador para a franquia, que estará buscando justamente isso.
O que é inegável é que o lançamento deste jogo poderá impactar de forma considerável os games daqui para frente. Resta aguardar sua chegada para entendermos exatamente como.
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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA




