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Impressionismo: mais do que um movimento, uma nova forma de enxergar a arte

O Impressionismo desafiou as regras acadêmicas do século XIX para capturar a efemeridade da luz e da cor. Descubra como artistas como Monet e Renoir transformaram uma crítica pejorativa em um dos movimentos mais revolucionários da história da arte.

Ao longo da história, diversos movimentos artísticos tiveram impactos distintos. Alguns surgiram como desdobramentos de estilos anteriores, enquanto outros deram origem a novas formas de perspectivas estéticas. Há ainda aqueles que representaram uma ruptura mais clara com os padrões estabelecidos em sua época, como o Impressionismo.

Neste texto, exploraremos não apenas sua importância histórica, mas também suas principais características e algumas de suas obras mais representativas.


A origem do impressionismo

O contexto da época é fundamental para entender a origem do Impressionismo. No século XIX, predominava uma visão guiada pelos acadêmicos, que defendiam que as pinturas deveriam abordar temas considerados “nobres e instrutivos”. Além disso, seguiam uma série de características formais, como:

  • Composição equilibrada;
  • Figuras idealizadas;
  • Utilização do chiaroscuro (termo italiano para luz e sombra), muito presente nas pinturas do Renascimento.

No entanto, diversos artistas passaram a se opor a essa lógica e começaram a desenvolver produções que buscavam representar suas próprias sensações visuais, com foco na natureza e no uso da luz natural.

A reação do meio foi negativa. Trabalhos de nomes como Mary Cassatt, Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, Edgar Degas, Édouard Manet, Camille Pissarro, Alfred Sisley e Berthe Morisot foram rejeitados pelos salões de arte da época justamente por apresentarem essas mudanças em suas pinturas.

Decididos a seguir em frente, os próprios artistas organizaram sua primeira exposição independente. Foi a primeira vez que o grande público teve contato com essas obras, mas a recepção também foi negativa, já que ainda predominava o gosto pelo estilo tradicional.

Um dos destaques dessa exposição foi a presença da célebre obra de Monet, “Impressão, Nascer do Sol”. Ela foi duramente criticada pelo pintor e escritor Louis Leroy, que a descreveu como uma “impressão” mal-acabada de uma paisagem.

Impressão, Nascer do Sol (1872)

Foi justamente a partir desse uso pejorativo do termo “impressionismo” que o movimento passou a adotar essa denominação, ressignificando a crítica como uma forma de representar a mudança que propunham na arte.

Vale destacar que uma das principais contribuições do impressionismo foi transformar a forma como o público percebia a arte. Em certa medida, essa mudança abriu espaço para a aceitação de movimentos posteriores, como o Neoimpressionismo e, em um contexto mais amplo, para toda a arte moderna.

Características do impressionismo

Um dos principais pontos de ruptura do Impressionismo está na forma como os artistas buscavam retratar as cenas que observavam. A proposta era ir além da representação fiel, incorporando também as sensações provocadas por aquela visão, especialmente por meio do uso da cor e da luz.

Isso fazia com que os trabalhos apresentassem características muito marcantes, como:

  • quase nenhum uso da cor preta;
  • uso de sombras coloridas;
  • ausência de contornos nítidos;
  • mistura das tintas diretamente na tela, com pinceladas visíveis.

Outro ponto relevante é que grande parte das obras retratava paisagens. Os artistas buscavam representá-las como realmente as viam, incluindo as variações de luz e tonalidade ao longo do dia. Por isso, era comum que trabalhassem ao ar livre.

É interessante observar que muitas dessas características hoje parecem naturais, mas, na época, eram consideradas inadequadas ou até mesmo “erradas” pelos acadêmicos.

O impressionismo na prática

Algumas das principais pinturas do Impressionismo ajudam a evidenciar esses pontos de ruptura. Na pintura Duas Irmãs (No Terraço) (1881), de Pierre-Auguste Renoir, por exemplo, é possível perceber como a cena é construída a partir da luz e das cores, sem a necessidade de contornos rígidos. As figuras se integram ao ambiente, e o próprio cenário ao ar livre reforça essa busca por captar o momento como ele é percebido.

Duas Irmãs (no Terraço)

Algo semelhante acontece nas séries de Nenúfares, de Claude Monet, em que o foco não está nos elementos em si, mas nas variações de luz, cor e reflexo ao longo do tempo. Em vez de uma representação fixa, o que se vê é uma tentativa de registrar diferentes impressões de uma mesma paisagem.

Pintura da série Nenúfares, de Monet

Produções como essas ajudam a entender que esses artistas buscavam reduzir a rigidez na forma de representar o mundo, abrindo espaço para uma abordagem mais livre e sensorial da pintura. Mais do que romper com regras específicas, o impressionismo questionava a própria ideia de que a arte deveria seguir um único padrão.

Esse movimento acabou tendo um impacto duradouro, influenciando não apenas seus desdobramentos diretos, mas também a forma mais aberta com que as artes plásticas passaram a ser exploradas e permitindo, hoje, tanto abordagens mais acadêmicas quanto propostas mais experimentais.

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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA