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Quais obras mais curiosas que estão no Museu do Vaticano?

O Museu do Vaticano vai muito além da Capela Sistina. Conheça esculturas raras, pinturas de Rafael e esboços de Da Vinci com histórias surpreendentes que compõem este acervo mundial.

Por motivos diversos, o Museu do Vaticano concentra um dos principais acervos de pinturas e esculturas do mundo. Com obras de alguns dos nomes mais importantes da história da arte, até mesmo suas paredes são verdadeiras obras-primas.

Só que esse acervo também guarda muitas curiosidades, pois nem todas as suas obras são necessariamente de arte sacra, como mostraremos abaixo:


1 – Estátua de Hércules


Vamos começar com um caso bastante inusitado, justamente por se tratar de uma figura histórica da mitologia grega. Não há uma data exata de quando a fizeram, mas historiadores acreditam que foi entre os séculos I e III d.C.

A peça é considerada raríssima por ainda estar intacta, já que, nessa época, era comum que os romanos derretessem estátuas de metal para reaproveitar o material.

Arqueólogos a encontraram em 1864 sob um pátio próximo ao Campo de' Fiori, não muito longe do Teatro de Pompeu — onde assassinaram Júlio César. Posteriormente, doaram a estátua para o Papa Pio IX (1846–1878), chegando assim ao Vaticano, onde permanece até hoje.


2 – Retábulo de Oddi

 

A pintura principal


Esta obra é composta por:

·        A pintura principal, que mostra duas cenas: acima, a coroação da Virgem por Jesus, enquanto anjos tocam música. Abaixo, os apóstolos estão reunidos em torno do túmulo vazio de Maria, cujo corpo foi elevado ao céu sem corrupção.

·        A predela, formada por três pinturas que mostram cenas da vida da Virgem Maria: A Anunciação, A Adoração dos Magos e A Apresentação no Templo.


 As obras do retábulo


Originalmente, Rafael Sanzio o pintou entre 1502 e 1504, a pedido da família Oddi para sua capela em Perugia. Só que o levaram para Paris em 1797, durante o período napoleônico, ficando exposto no então chamado Museu Napoleão. Em 1815, trouxeram-no de volta à Itália.

Contudo, por decisão do Papa Pio VII, a obra não retornou a Perugia, mas passou a integrar a Pinacoteca Vaticana, onde está até hoje.


3 – Apolo Belvedere

Além de representar outro deus da mitologia grega, esta escultura também guarda uma história bastante curiosa. Sua produção data do século II d.C., como uma cópia romana inspirada em uma escultura grega de bronze atribuída a Leocares, do século IV a.C.

Durante séculos esteve perdida, até ser desenterrada em 1489, na região de Grottaferrata, no Lácio (Itália Central). Quem a comprou foi o cardeal Giuliano della Rovere, que a manteve em sua coleção particular — primeiro nos jardins da Basílica dos Santos Apóstolos e depois em seu palácio.

Ao se tornar Papa Júlio II, Giuliano levou sua coleção pessoal para o Vaticano, incluindo a estátua. Ela foi instalada no Cortile delle Statue do Palácio Belvedere, e passou a ser chamada de Apolo Belvedere justamente por causa de sua localização.


4 – Escola de Atenas


Este afresco está na Stanza della Segnatura, uma das quatro salas conhecidas como “Salas de Rafael”, localizadas no Palácio Apostólico do Vaticano, dentro do complexo dos Museus Vaticanos. As outras salas são:

  • Stanza di Eliodoro
  • Stanza dell’Incendio di Borgo
  • Stanza di Costantino


A decoração da Stanza della Segnatura foi um pedido do Papa Júlio II a Rafael Sanzio, que a pintou entre 1508 e 1511. Essa sala se destaca entre as demais por representar os quatro campos do conhecimento humano segundo a filosofia renascentista:

  • FilosofiaA Escola de Atenas (com Platão e Aristóteles no centro)
  • TeologiaA Disputa do Santíssimo Sacramento
  • PoesiaO Parnaso
  • JustiçaAs Virtudes Cardeais e Teologais e O Direito Canônico e Civil


Entre todas essas obras, A Escola de Atenas é a mais reconhecida e frequentemente reproduzida em livros, documentários, aulas de história da arte e materiais educativos.


5 – São Jerônimo


Este esboço de Leonardo da Vinci é uma de suas obras mais impressionantes do Museu do Vaticano, mesmo sem jamais ter sido concluída. Ele o pintou entre 1480 e 1482 e representa São Jerônimo no deserto, acompanhado do leão (seu símbolo tradicional) e segurando uma pedra, que costumava usar para se penitenciar batendo no peito.

A história da obra é bastante curiosa. Primeiro, porque não se sabe quem a encomendou e depois ela simplesmente sumiu por séculos, até quando a reencontraram em condições bem inusitadas:

  •  A parte inferior encontraram em um brechó, sendo usada como tampa de uma caixa;
  • A parte superior, que contém a cabeça do santo, descobriram em uma banca de sapateiro, onde servia como assento de banco.


Ambos os fragmentos foram localizados e reunidos pelo cardeal Joseph Fesch, tio de Napoleão Bonaparte. Anos depois, a obra foi a leilão e acabou sendo adquirida pelo Papa Pio IX, em 1856, passando a fazer parte da Pinacoteca Vaticana.


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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA