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Alexandre Wollner: conheça mais sobre o pai do design brasileiro
Conheça a história de Alexandre Wollner, o pai do design moderno brasileiro. Saiba como sua formação na Escola de Ulm e seus projetos icônicos, como o logo do Itaú, revolucionaram a identidade visual no país.
O design gráfico como o conhecemos hoje no Brasil sofre influência direta de Alexandre Wollner. Considerado o “pai do design moderno brasileiro”, ele não é apenas responsável por alguns dos logos mais famosos do país, como também ajudou a moldar a base visual que até hoje norteia o processo criativo publicitário brasileiro.
Vamos conhecer um pouco de sua trajetória e como a famosa escola alemã Bauhaus exerceu influência direta no design gráfico brasileiro.
Alexandre Wollner: o início dos estudos no MASP e a virada em Ulm
Wollner nasceu em São Paulo, em 1928, filho de imigrantes iugoslavos. Desde pequeno, demonstrou interesse pelas artes, o que fez com que, aos 14 anos, passasse a frequentar os ateliês da Associação Paulista de Belas Artes (APBA).
Aos 22 anos, ingressou no curso de Iniciação Artística do Instituto de Arte Contemporânea (IAC), no MASP, onde estudou com Lina Bo Bardi, Poty Lazzarotto, Roberto Sambonet e Pietro Maria Bardi.
Foi justamente no museu que começou a trabalhar com design gráfico, criando cartazes para a divulgação de exposições. Um dos destaques desse período foi o projeto desenvolvido para a exposição de Max Bill, artista plástico e designer que havia estudado na vanguardista Bauhaus. O contato com o trabalho — e com o próprio artista suíço — teve grande impacto em sua formação.
Nessa fase, Wollner ainda conciliava a atuação nas artes gráficas com a produção artística, o que o levou, em 1953, a ingressar no Grupo Ruptura. No mesmo período, apresentou suas pinturas construtivas na 2ª Bienal Internacional de São Paulo, sendo agraciado com o Prêmio Pintura Jovem Revelação Flávio de Carvalho.
Obra de Alexandre Wollner vencedora na Bienal
Com o prêmio, conseguiu ajudar a financiar sua estadia na Alemanha, onde foi convidado pelo próprio Max Bill a estudar na Hochschule für Gestaltung Ulm (Escola Superior da Forma de Ulm), permanecendo na instituição entre 1954 e 1958.
Os trabalhos para a Bienal, a volta ao Brasil e o primeiro escritório de design do país
A passagem por Ulm — frequentemente vista como uma espécie de continuidade dos princípios da Bauhaus — e o contato com nomes como Tomás Maldonado, Max Bense e Josef Albers aproximaram Wollner de uma concepção mais pragmática do design, entendido como parte do processo industrial, aspecto que se tornaria central em sua atuação profissional.
Mesmo fora do Brasil, seguiu colaborando com a Bienal de São Paulo, sendo responsável pelos cartazes da terceira e da quarta edições do evento.
Em 1958, retornou ao país e, junto com Geraldo de Barros, Rubem Martins e Walter Macedo, fundou o Form-Inform, considerado o primeiro escritório de design do Brasil. Entre os trabalhos de destaque desse período estão os logos dos elevadores Atlas e das sardinhas Coqueiro.
A criação da ESDI e os trabalhos solo
No início dos anos 1960, Wollner iniciou um projeto paralelo com o designer gráfico Aloísio Magalhães: um curso de tipografia no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ). A iniciativa acabou se tornando o embrião da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI).
A escola foi fundada com Karl Heinz Bergmiller, como parte de um projeto do então governador Carlos Lacerda e do secretário de Educação Carlos Flexa Ribeiro. Apesar de não possuir diploma formal de designer gráfico reconhecido no Brasil, Wollner recebeu autorização especial do Ministério da Educação para lecionar em cursos superiores.
Posteriormente, deixou o Form-Inform e abriu seu próprio escritório. Desse período destacam-se os projetos de identidade visual para marcas como Eucatex, Metal Leve, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP) e o Banco Itaú.
No caso do Itaú, Wollner desenvolveu um projeto de identidade visual completo, aplicando de forma sistemática um mesmo critério de design ao logotipo, às fachadas, à sinalização interna e externa das agências e a todos os demais elementos envolvidos no reconhecimento da marca.
Esse foi um dos primeiros projetos no país a adotar, de maneira integrada, um rigoroso sistema de design em todos os departamentos de uma instituição. O trabalho também traz uma curiosidade: originalmente, o logo era preto, com as letras em branco, em referência ao significado da palavra “Itaú” em tupi-guarani — “pedra preta”.
Anos depois, as cores foram alteradas para o atual fundo azul com letras amarelas, mudança que ocorreu após o encerramento da participação de Alexandre Wollner no projeto.
Trabalhos paralelos e os últimos anos de Alexandre Wollner
Durante o período em que atuava no projeto do Itaú, Wollner presidiu a Associação Brasileira de Desenho Industrial (ABDI) entre 1970 e 1974. No ano seguinte, a ESDI foi incorporada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), onde permanece até hoje.
Wollner continuou desenvolvendo projetos para marcas como Klabin, Hering, Ultragás e Philco, sempre seguindo a lógica que norteou toda a sua produção: o uso rigoroso de instrumentos geométricos como compasso, esquadro, régua e formas básicas — triângulos, quadrados e círculos — priorizando a precisão matemática. Em alguns logos, chegou inclusive a empregar a sequência de Fibonacci como base estrutural.
Esse método permaneceu como uma característica central de seu trabalho até o fim da vida. Wollner defendia que o design deveria atender à produção em série e em larga escala, e não se restringir a projetos exclusivos ou artesanais.
Nos últimos anos, voltou a se dedicar com mais intensidade à pintura construtivista e atuou no Comitê de Programação do Museu da Casa Brasileira. Ele faleceu no ano de 2018 após um período internado por conta de um AVC.
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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA




