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Conheça mais sobre estas famosas obras que retratam o amor

Do simbolismo de Munch à crítica social de Banksy. Confira como grandes artistas retrataram o amor, o desejo e os relacionamentos em obras icônicas para celebrar o Valentine's Day.

Diferentemente do Brasil, em diversos lugares do mundo, o “Dia dos Namorados” é comemorado em 14 de fevereiro. O “Valentine’s Day” tem uma diferença em relação ao que se comemora aqui, pois lá ele é considerado como o Dia do Amor.

Isso significa que, além dos namorados, também se costuma presentear amigos, parentes ou qualquer pessoa que se ama (incluindo o par romântico naturalmente).

E para marcar uma data dedicada ao amor em suas diversas formas, reunimos algumas das mais conhecidas obras de arte que exploram esse sentimento de maneira profunda, simbólica e, em alguns casos, ambígua.


1 – Dança da Vida, de Edvard Munch



Edvard Munch teve uma vida amorosa marcada por relações intensas e conflitos emocionais, e muitos associam essa parte de sua vida à relação com Milly Thaulow, seu primeiro grande amor. Os dois chegaram a ter um breve envolvimento, que não evoluiu por diversos motivos e terminou em frustração para o artista.

Acredita-se que essa experiência tenha servido de inspiração para diversas obras de Munch, entre elas A Dança da Vida, pintada entre 1899 e 1900. A obra integra a série “O Friso da Vida, um conjunto de trabalhos em que o artista explorou temas recorrentes de sua produção, como o amor, o desejo, a angústia, o ciúme e a finitude da existência humana.

Dentro desse contexto, especialistas costumam interpretar A Dança da Vida como uma representação simbólica das fases da vida amorosa feminina.

As três figuras que ocupam a cena — a mulher jovem vestida de branco, a mulher madura em vermelho e a figura mais velha em preto — são frequentemente associadas, respectivamente, à inocência, à paixão e à melancolia ou ao luto. Enquanto a mulher em vermelho dança feliz com seu par romântico no centro da composição, as outras duas a observam, indicando certa inveja.

Algumas teorias indicam que, além de o próprio Munch estar representado no homem em destaque, a mulher que dança com ele poderia ser uma referência a Milly Thaulow. No entanto, não há registros ou documentos que confirmem essa identificação.


2 – Os Amantes, de René Magritte



Uma das grandes referências do surrealismo, René Magritte tem em Os Amantes uma de suas obras mais conhecidas, pintada em 1928.

A obra apresenta uma imagem curiosa e enigmática: um casal se beijando, mas com os rostos completamente cobertos por um pano branco. Mesmo sem termos acesso às expressões faciais dos personagens, a cena transmite intensidade e proximidade, o que provoca um certo estranhamento em quem observa.

Como é bastante comum na obra de Magritte, o artista não oferece respostas diretas e deixa a interpretação em aberto. Isso fez com que especialistas e críticos levantassem diferentes teorias sobre o significado do pano que cobre o rosto dos amantes. As principais são:

  1. A primeira interpretação sugere que a obra trate da impossibilidade de acessar plenamente o outro. Mesmo em um gesto de extrema intimidade, como o beijo, existe sempre algo que permanece oculto nas relações humanas;
  2. A segunda leitura está ligada ao mistério que envolve os vínculos amorosos. Ainda que haja proximidade, entrega e convivência, nunca se conhece completamente a outra pessoa, o que reforça a ideia de distância simbólica presente na obra;
  3.  A última relaciona a pintura a um episódio trágico da vida do artista: o suicídio de sua mãe, quando Magritte tinha apenas 13 anos. Segundo alguns estudiosos, o impacto dessa experiência pode ter influenciado suas criações, e Os Amantes poderia funcionar como uma analogia entre amor, perda e memória. No entanto, não há registros que confirmem essa leitura, e o próprio artista sempre rejeitou interpretações autobiográficas em suas obras.


3 – Obras de Valentine’s Day, por Banksy


O artista inglês que utiliza o pseudônimo de Banksy (cuja identidade permanece desconhecida) é conhecido por criar murais com temáticas que provocam reflexão e discussão sobre questões contemporâneas. Naturalmente, o Dia dos Namorados não ficaria de fora de sua produção, com duas obras que chamaram bastante atenção nos últimos anos.


Valentine’s Day (2020)



Esta obra é mais simbólica e deixa a interpretação em aberto ao mostrar uma garotinha que parece ter disparado um estilingue contra a parte superior da parede. E no alto, temos diversas rosas vermelhas atingidas, dando a entender que do local escorre algo semelhante a “sangue”.

Essa imagem pode ser interpretada tanto como uma referência à violência presente em muitas relações amorosas quanto, de forma mais ampla, como uma crítica sobre a falta de amor na humanidade, refletida nos inúmeros conflitos que ocorrem ao redor do mundo.

Inicialmente, houve questionamentos sobre a autoria do mural, mas o próprio Banksy confirmou que se tratava de uma criação sua por meio de suas redes sociais.


Valentine’s Day (2023)



Diferentemente da obra de 2020, esta é bastante direta ao abordar a violência em relacionamentos. Banksy utilizou como base um freezer, transformando-o em parte essencial da composição. A cena mostra uma mulher vestida em um estilo que remete aos anos 1950, com um olho roxo e a ausência de um dente, enquanto empurra o marido para dentro do que pode ser interpretado como uma lixeira.

A obra chegou a ser descaracterizada após a retirada do objeto, mas posteriormente ele foi recolocado no mesmo local, restabelecendo a proposta original do artista.


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 Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA