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Obras que representam a maternidade no mundo das artes

De representações idealizadas a retratos íntimos e realistas. Descubra como artistas mulheres transformaram a visão da maternidade na história da arte através de obras icônicas de Vigée-Le Brun, Mary Cassatt e Louise Bourgeois.

Retratar a maternidade de forma íntima e realista, como conhecemos hoje, demorou a ganhar espaço na história da arte. Por muito tempo, a figura materna apareceu de forma idealizada, sobretudo em contextos religiosos e mitológicos.

Foi a partir de transformações sociais e culturais — como o surgimento da burguesia (ainda sem o significado que conhecemos atualmente), o romantismo e, mais tarde, a ascensão de mulheres artistas — que uma visão mais humana da maternidade passou a ser representada com mais frequência nas artes.

Com o tempo, não apenas homens, mas também as próprias mulheres passaram a se retratar em momentos como a gravidez, a amamentação ou a convivência com filhos pequenos, trazendo uma nova perspectiva ao tema.

Neste blog, destacamos obras que revelam essa evolução: a humanização da mulher e de seu papel como mãe, para além das idealizações que dominaram as artes por séculos.


1 - Self-Portrait with Her Daughter Julie (à l’Antique) – 1789



A obra é de autoria da pintora Élisabeth-Louise Vigée-Le Brun, uma das primeiras mulheres a conquistar reconhecimento em meio à elite artística de sua época. Ela foi, inclusive, pintora oficial da rainha Maria Antonieta.

A cena afetuosa, em que a artista aparece sentada com sua filha Julie inclinada sobre seu corpo, e os braços de ambas se entrelaçam, era pouco comum na época. O período era dominado por grandes pinturas heroicas, temas mitológicos ou retratos formais, geralmente com mulheres em vestidos ornamentados.

Para entender sua relevância, Vigée-Le Brun foi aceita na Académie Royale de Peinture et de Sculpture graças a uma ordem direta do rei da França, tornando-se uma das quatro mulheres admitidas na instituição até então.


2 - Mãe Rose amamentando seu filho – 1900



Esta obra em pastel é da pintora norte-americana Mary Cassatt. Curiosamente, Cassatt acreditava que casamento e maternidade eram incompatíveis com sua carreira, tendo optado por não vivenciar esses papéis.

Ironicamente, ela se destacou justamente ao retratar cenas domésticas, especialmente entre mães e filhos. Representações carinhosas e até mesmo de amamentação, como nesta obra, foram fundamentais para romper tabus na arte ocidental — ao mostrar a intimidade da maternidade com delicadeza e realismo.


3 - Autoportrait au sixième anniversaire de mariage – 1906



Esta obra é da pintora alemã Paula Modersohn-Becker, considerada uma das pioneiras do expressionismo. Ela pintou esse autorretrato grávida, em um momento importante, mas também carregado de apreensão pessoal.

Infelizmente, sua preocupação se concretizou: Paula faleceu apenas 18 dias após dar à luz. A pintura tornou-se sua obra mais famosa. Seu trabalho, influenciado por Cézanne, Gauguin e Picasso, abriu caminhos para uma representação mais introspectiva e ousada da experiência feminina.


4 – Pregnant Woman – 2009



A pintura em guache de Louise Bourgeois é uma entre várias de suas obras que retratam mulheres grávidas, especialmente no fim de sua vida.

A artista teve uma relação complexa com o pai, após descobrir ainda jovem seu caso extraconjugal com a governanta da família. Esse trauma inicial marcou profundamente sua obra, que passou a explorar o inconsciente e a memória como temas centrais.

A psicanálise, especialmente os estudos de Freud, influenciou Bourgeois em sua busca por compreender — e exorcizar — suas dores. Sua escultura mais famosa, Maman, é uma aranha de mais de nove metros de altura, uma homenagem à mãe. A obra simboliza a feminilidade, o cuidado e a força protetora, mas também o trauma, a perda e a reconstrução emocional.


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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA