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Arquitetura religiosa: confira alguma de suas principais construções

Do barroco mineiro ao modernismo de Niemeyer, a arquitetura religiosa brasileira é um tesouro histórico. Conheça as catedrais e basílicas que marcam a paisagem e a fé no país.

O Brasil é um dos países mais diversos do mundo quando se trata de arquitetura religiosa. Entre templos barrocos, igrejas modernistas e catedrais com traços europeus, elas fazem parte da paisagem urbana e histórica do país, revelando estilos de diferentes influências culturais.

Além de espaços para as pessoas expressarem sua fé, essas construções são marcos artísticos, turísticos e históricos. Neste blog, destacamos algumas das construções que melhor representam essa riqueza arquitetônica espalhada pelo território nacional.


1 – Catedral da Sé (São Paulo)



Vamos começar com a arquitetura religiosa mais famosa do Brasil. A Catedral da Sé é a maior referência do estilo neogótico em território nacional. Ela também é o quarto maior templo do estilo no mundo, com 111 metros, além de ser a mais alta de São Paulo.

Apesar de haver uma igreja matriz no local desde o início do século XVII, a Catedral da Sé, como a conhecemos hoje, é uma construção do século XX. A antiga igreja foi demolida por conta do avançado estado de degradação, e uma nova estrutura foi erguida em seu lugar.

O projeto atual é de Maximilian Emil Hehl, professor da Escola Politécnica. As obras começaram em 1912, sob a liderança do então arcebispo Dom Duarte Leopoldo e Silva. Sua inauguração, no entanto, só ocorreu em 1954, conduzida por Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, durante a celebração do quarto centenário da cidade.

A demora se deveu à falta de recursos financeiros e à ocorrência de duas grandes guerras, que dificultaram a importação de materiais de construção da Europa.


2 – Catedral Metropolitana de Brasília (Distrito Federal)



Agora, vamos para um estilo completamente diferente, com esta catedral modernista. O projeto é de Oscar Niemeyer e trouxe um estilo pouco comum dentro da arquitetura religiosa.

Sua construção se deu entre os anos de 1959 e 1970 e tem um fator curioso: ela foi pensada desde o início como parte do plano urbanístico da nova capital federal. Isso porque o arquiteto Lúcio Costa, responsável pelo projeto do Plano Piloto, incluiu a catedral como um dos elementos centrais da Esplanada dos Ministérios.

Seu objetivo era criar uma cidade que integrasse, de forma harmônica, os poderes civis, os espaços públicos e também a religiosidade. Outro fator que chama a atenção é que sua construção não foi uma solicitação da Igreja Católica, mesmo sendo parte de uma cidade erguida do zero.


3 – Basílica de Nossa Senhora da Aparecida (São Paulo)


Uma das construções mais impressionantes desta lista. Seu tamanho faz dela o segundo maior templo católico do mundo, ficando atrás somente da Basílica de São Pedro, no Vaticano.


O projeto é de Benedito Calixto de Jesus Neto, conhecido por ter projetado mais de 200 igrejas no Brasil. A pedra fundamental e a primeira missa ocorreram ainda em 1946, mas as construções começaram apenas em 1955.

A basílica, apesar de sua história relativamente recente, tem diversos marcos importantes:

  • 1980 — Foi consagrada pelo Papa João Paulo II, que lhe outorgou o título de Basílica Menor, mesmo ainda estando em construção;
  • 1983 — A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou oficialmente a Basílica de Aparecida como Santuário Nacional;
  • 1997 — Conclusão da etapa estrutural principal, incluindo as quatro naves e a cúpula central;
  • 2007 — O Papa Bento XVI celebrou missa no local durante a abertura da V Conferência Episcopal Latino-americana e do Caribe;
  • 2013 — O Papa Francisco visitou a basílica por ocasião das atividades da Jornada Mundial da Juventude, realizada naquele ano no Rio de Janeiro;
  • 2015 — Conclusão da restauração da Matriz Basílica de Nossa Senhora Aparecida, conhecida como Basílica Velha, após 11 anos de obras.


4 – Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto (Minas Gerais)



Trata-se da principal obra de arquitetura religiosa do barroco-rococó, sendo uma criação de Aleijadinho e do Mestre Ataíde, duas referências no estilo.

O contexto de sua criação remonta ao período colonial, quando a cidade de Ouro Preto cresceu rapidamente graças à abundância de ouro e metais preciosos. Naquela época, o catolicismo não era apenas uma expressão cultural, mas também uma forma de demonstrar poder.

Ainda sob o nome de Vila Rica, a cidade viu a fundação da “Ordem Terceira da Penitência de São Francisco de Assis”, composta por membros influentes da elite local. Inicialmente, eles se reuniam em outras igrejas, até que, em 1762, decidiram construir a sua própria sede.

As obras começaram em 1766 e foram concluídas apenas em 1810, já no final do ciclo do ouro. Ainda assim, a igreja nunca perdeu seu status como referência religiosa e artística, sendo até hoje um símbolo do barroco mineiro.


Bônus — As igrejas “incompletas” do período colonial


Um curioso “jeitinho” foi adotado para que os capelães das igrejas escapassem dos altos impostos cobrados pelo governo português em relação às construções religiosas.

Segundo a estética barroca e a legislação da época, as igrejas deveriam ter duas torres para serem consideradas completas. Assim, muitas foram erguidas com apenas uma torre e conseguiam alegar que ainda estavam “em construção”, evitando o pagamento de impostos.

Embora essa explicação seja a mais conhecida, há também outras hipóteses aceitas por historiadores:

  • O alto custo da construção de duas torres, especialmente em cidades pequenas ou com menos recursos;
  • Uma questão estética, já que muitas dessas igrejas surgiram no início do movimento rococó e apresentavam características mais simples e leves.


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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA