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Paisagismo japonês: como a filosofia transforma a forma de pensar os espaços

Descubra como a filosofia do Ma transforma o paisagismo japonês. Entenda a importância do espaço vazio na criação de jardins zen, karesansui e shakkei, e veja como aplicar esses conceitos de contemplação nos seus projetos de arquitetura com a ABRA.

O paisagismo japonês segue uma lógica que vai além da simples organização dos elementos no espaço. Ao longo dos séculos, desenvolveu-se uma forma de pensar os ambientes que valoriza a contemplação e a relação entre os elementos.

À primeira vista, essa abordagem pode lembrar o minimalismo ocidental. No entanto, ela está ligada a um conceito mais amplo: o Ma, que orienta a forma como diversos estilos de jardins japoneses são concebidos.

A seguir, vamos entender melhor como essa lógica se aplica na prática e conhecer alguns exemplos dentro do paisagismo japonês.


Ma – a filosofia que ajuda a orientar o paisagismo e a decoração japoneses


O “Ma” é um conceito da estética japonesa que serve como base para muitos projetos paisagísticos no país. No entanto, pode ser um pouco difícil de num primeiro momento, especialmente para o olhar ocidental, já que parte de uma forma diferente de perceber os ambientes.

De maneira geral, estamos acostumados a enxergar áreas livres como espaços a serem preenchidos ou, no máximo, como intervalos sem função clara. No Ma, porém, essa lógica se inverte: esse intervalo passa a ser entendido como parte integrante da composição.

Seu papel vai além de criar respiro. Ele ajuda a estabelecer relações entre os elementos, valoriza o que está presente e contribui para a percepção do ambiente como um todo.

Essa forma de entender o espaço também influencia a maneira como os ambientes são vivenciados. Como esses intervalos fazem parte da composição, a experiência se torna mais contemplativa e menos imediata, o que permite diferentes interpretações de acordo com o olhar de cada pessoa.

Na prática, isso pode ser observado em projetos nos quais tudo é preenchido. Os elementos são organizados com distância e intenção, criando intervalos que ajudam a destacar cada parte do conjunto. Esse espaço entre os elementos não está ali por acaso, mas faz parte da própria construção e da forma como a paisagem é compreendida.


Paisagismo japonês: o Ma aplicado na prática


Vamos agora trazer alguns estilos paisagísticos japoneses em que é possível observar de forma clara como a filosofia do Ma é utilizada na concepção do projeto:


1 – Karesansui



O Karesansui (também chamado de “jardim zen”) consiste principalmente em rochas cuidadosamente dispostas, de formatos e tamanhos variados. Elas são cercadas por areia e cascalho, geralmente organizados em desenhos que sugerem movimento, representando o mar ou rios, enquanto as rochas simbolizam ilhas.

Sua base está ligada ao espiritualismo e ao budismo zen, e seu conceito, aparentemente minimalista, é pensado justamente para criar um espaço de relaxamento, contemplação e meditação.

Trata-se, talvez, de uma das formas mais claras de compreender a aplicação do Ma no ambiente.


2 – Shakkei



O Shakkei, também conhecido como “cenário emprestado”, é uma técnica que busca incorporar elementos da paisagem externa como parte da composição. O objetivo é criar uma sensação de continuidade, integrando o jardim ao ambiente ao redor e ampliando a percepção do espaço.

Em vez de isolar o ambiente, o projeto utiliza o que está além dele (como montanhas ou árvores) como parte do próprio cenário, para criar uma composição mais ampla e conectada.

Essa lógica pode ser percebida até mesmo em contextos urbanos. No Japão, o uso de portas de correr e grandes aberturas permite integrar o interior com o exterior, o que amplia a entrada de luz e a conexão visual com a paisagem, mesmo em espaços mais compactos.


3 – Tsukiyama



O Tsukiyama é um estilo que busca recriar paisagens naturais em escala reduzida, utilizando elementos como colinas artificiais, lagos, pedras e vegetação cuidadosamente distribuídos pelo espaço. Diferentemente de propostas mais minimalistas, aqui o ambiente é mais rico em elementos e convida a um percurso, no qual o espaço é descoberto aos poucos.

Nesse contexto, a aplicação do Ma acontece de forma mais sutil. Em vez de se apresentar como um vazio evidente, ele aparece na forma como os espaços são organizados entre um elemento e outro, no ritmo do percurso e nos intervalos que permitem pausas e contemplação. A proposta é recriar qualquer tipo de projeto na prancheta em miniatura, a mesma sensação de contemplação que se teria em uma paisagem natural.


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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA