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Biofilia: ambientes integrados à natureza e com foco no bem-estar

Descubra o que é Biofilia e como a arquitetura e o design de interiores utilizam a conexão com a natureza para promover bem-estar e saúde em ambientes urbanos

A urbanização já é uma realidade para a imensa maioria da população mundial, com espaços com cada vez mais concreto e menos natureza. Só que os impactos disso na saúde das pessoas vão além dos problemas respiratórios que a poluição pode causar. Por conta disso que, cada vez mais, temos a busca pela aplicação da biofilia nos ambientes.


Exemplo de projeto biofílico - Fonte: Eric Petschek


O que é a biofilia?

Em tradução literal, trata-se de “amor às coisas vivas” e não é tão novo como muitas pessoas podem imaginar, já tendo sido objeto de estudo do psicólogo Erich Fromm nos anos 60 e depois nos anos 80 pelo biólogo Edward O. Wilson. Abaixo, trazemos a visão de cada um sobre o tema:


A biofilia segundo Erich Fromm


O termo biofilia foi utilizado pela primeira vez pelo psicólogo e psicanalista Erich Fromm para descrever o “amor à vida” e a inclinação humana em preservar, cuidar e se conectar com tudo aquilo que é vivo. Para Fromm, essa relação vai além da natureza em si: envolve também a maneira como as pessoas se relacionam consigo mesmas, com os outros e com o ambiente ao redor.

Um ponto central de sua abordagem é que a biofilia não se manifesta de forma automática. Ela depende das condições em que o indivíduo está inserido. Ambientes que oferecem segurança, liberdade e estímulo ao desenvolvimento tendem a favorecer uma orientação mais biofílica. Já contextos excessivamente hostis, mecânicos ou empobrecidos de estímulos naturais podem enfraquecer essa conexão.

Nesse sentido, a presença da natureza nos espaços construídos não é apenas um elemento decorativo, mas parte de um ambiente que contribui para o equilíbrio emocional, a sensação de pertencimento e o bem-estar humano.


A biofilia segundo E.O. Wilson


Cerca de 20 anos depois o tema foi revisitado pelo biólogo Edward O. Wilson, que ampliou o conceito ao propor a hipótese da biofilia, mas agora sob uma perspectiva evolucionista.

Para ele, a afinidade humana com a natureza é uma predisposição inata, moldada ao longo da evolução, que faz com que as pessoas se sintam naturalmente atraídas por ambientes, formas e processos vivos.

Wilson destacou dois aspectos centrais dessa relação. O primeiro é o fascínio: a capacidade que a natureza tem de captar a atenção de forma espontânea, permitindo momentos de descanso mental e recuperação do foco. O segundo é a afiliação, que se manifesta no vínculo emocional com outras formas de vida e na empatia gerada por essa interação.



Ambientes com muita natureza impactam diretamente na sensação de relaxamento e bem-estar, mesmo com predominância urbana ao redor

Essa abordagem ajuda a explicar por que ambientes naturais ou que incorporam elementos da natureza estão associados à redução do estresse, à melhora do estado emocional e à sensação de conforto. Mais do que uma preferência estética, a biofilia, segundo Wilson, está ligada ao funcionamento básico do ser humano e à forma como interage com o mundo ao seu redor.


A importância dos estudos de Fromm e Wilson nos ambientes biofílicos como conhecemos hoje


Apesar de serem abordagens distintas, o estudo de ambos serviu como base para entender que investir em ambientes biofílicos ia muito além de uma simples questão estética, mas sim que poderia impactar na qualidade de vida ou até mesmo na produtividade (quando falamos de ambientes corporativos).

Isso inclusive pode ser visto em coisas simples, como por exemplo: o fato de as pessoas sempre pensarem na natureza quando as perguntam sobre um local para relaxar.

Sendo assim, muitos arquitetos e designers de interiores passaram a ter como desafio integrar a natureza em seus projetos.


Quais as principais formas de criar ambientes biofílicos?


Talvez o principal erro seja acreditar que a biofilia se resume à inclusão de plantas no ambiente. Apesar de a vegetação ser um elemento importante, a criação de espaços biofílicos envolve muito mais coisas.

Por outro lado, isso não significa que apenas projetos complexos ou construções do zero possam adotar esses princípios. Mesmo ambientes já prontos permitem diferentes níveis de adaptação.


Ambiente adaptado à biofilia


Podemos dividir os principais usos da biofilia da seguinte forma:


 1 - Ambientes projetados desde a origem com foco em biofilia

Neste caso, os espaços já nascem integrados à natureza. O projeto prioriza o aproveitamento da iluminação natural, o uso de grandes painéis de vidro, a criação de áreas de convivência com presença significativa de elementos naturais e a aplicação de materiais como a madeira em sua forma mais natural, valorizando texturas e características originais.


2 - Adaptação de espaços já construídos

Aqui, a biofilia é incorporada por meio de ajustes em ambientes como escritórios, lobbies e áreas comuns. Jardins verticais, vasos distribuídos de forma estratégica, maior aproveitamento da luz natural disponível e a introdução de materiais naturais ajudam a estabelecer uma conexão com a natureza sem exigir grandes intervenções estruturais.


3 - Intervenções pontuais em ambientes residenciais

Em espaços que não foram originalmente pensados para essa integração, como muitos apartamentos, pequenas mudanças já podem gerar impactos positivos. Hortas domésticas, móveis em madeira natural, vasos em diferentes cômodos e até a criação de áreas voltadas à contemplação — especialmente em sacadas — são boas opções para se aproximar da experiência biofílica.


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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA