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Saul Bass: o nome que mudou a forma como vemos filmes e marcas
Conheça a trajetória de Saul Bass, o gênio que revolucionou o design gráfico ao transformar créditos de cinema em arte e criar identidades visuais que perduram por décadas.
Tivemos muitos nomes importantes na história do design gráfico, mas poucos conseguiram impactar áreas tão distintas quanto Saul Bass.
Ao longo de sua carreira, ele transitou entre a criação de identidades visuais marcantes e uma atuação relevante no cinema, onde ajudou a transformar a forma como o design dialoga com a narrativa audiovisual. Um exemplo curioso (e pouco conhecido) é sua colaboração com Alfred Hitchcock na concepção do storyboard da icônica cena do chuveiro em Psicose.
A partir desse ponto, é possível entender como seu trabalho não se limitou apenas a diferentes formatos, mas ajudou a redefinir a forma como o design pode atuar em cada um deles.
O impacto de Saul Bass nos pôsteres de cinema
Depois de estudar na Art Students League, onde teve a oportunidade de aprender com György Kepes, um dos nomes ligados à estética funcional da Bauhaus, ele começou a trabalhar como aprendiz no departamento artístico do escritório de Nova York da Warner Bros. Studio. Lá, seu trabalho era ajudar a criar cartazes de cinema.
Posteriormente, mudou-se para a Califórnia e teve sua primeira grande oportunidade: a criação do pôster da obra Carmen Jones (1954). Seu trabalho impressionou tanto que foi convidado a desenvolver também os créditos iniciais do filme.
A revolução nos créditos de abertura
Até aquele momento, a forma como esses créditos eram apresentados era pouco atrativa, a ponto de muitos cinemas abrirem as cortinas apenas depois que essa parte terminava.
Saul Bass pensou em formas de transformar esse momento em parte da narrativa e acabou desenvolvendo o que ficou conhecido como kinetic type, uma assinatura do designer. A partir daí, letras e formas passavam a se mover pela tela, integrando-se a imagens e criando uma experiência visual mais dinâmica.
https://youtu.be/ChtRfvn2ZFM?si=mCe9t7FZrQ6lBx6s
Crédito do filme Vertigo (1958)
Posteriormente, ele passou a atuar nessas duas frentes, criando créditos de abertura para mais de 30 produções, com destaque para: North By Northwest (1959), Os Bons Companheiros (1990), Cabo do Medo (1991), A Época da Inocência (1993) e Cassino (1995).
Os pôsteres como síntese visual
Já seu trabalho nos pôsteres trouxe uma mudança importante no conceito utilizado até então. Naquele período, os cartazes funcionavam quase como um “segundo trailer”, reunindo diversas cenas importantes da obra.
Para Saul Bass, a lógica era outra: um cartaz deveria apresentar uma ideia central, capaz de sintetizar o tema do filme e estimular a imaginação do público.
Anatomia de um crime (1959) - um dos grandes exemplos da ideia de Saul Bass aplicada
Seguindo essa abordagem, ele também desenvolveu mais de 30 pôsteres, consolidando um estilo marcado pela simplicidade e pelo impacto visual.
A fase produtor de cinema
Seu envolvimento com a área cinematográfica fez com que ele também se aventurasse a dirigir suas próprias obras. E foi uma empreitada bem-sucedida, com destaque para:
· Searching eye – vencedor do Grande Prêmio no Festival de Veneza;
· From here to there - vencedor de um Hugo de ouro no festival de Chicago;
· The Solar film and notes on popular art – indicado ao Oscar;
· Why man creates – seu grande momento, pois com ele ganhou um Oscar na categoria de curta-metragem em 1968.
Saul Bass, o criador de logotipos
Quase como uma carreira paralela em comparação ao seu trabalho até o fim da vida no cinema, ele foi igualmente bem-sucedido como designer gráfico de marcas. Seguindo a mesma lógica minimalista, ele criou logos que conseguem atingir uma vida útil média de 34 anos.
Algumas das marcas criadas por Saul Bass
Inclusive ele tem casos impressionantes como os:
· Kosé Cosmetics (1959)
· Kibun (1964)
· Warner Communications (1972)
Estes até hoje não foram trocados e muitos dos que ele criou não chegaram a ser substituídos, apenas ganharam leves adaptações.
A consistência na carreira dele mostrou como é possível transferir ideias entre meios relativamente diferentes (já que não há a mesma flexibilidade na criação de um logo e de um cartaz de cinema) e ainda assim conseguir criar algo tão marcante, que atravessa gerações.
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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA




