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Designer automotivo: por onde começar?

Descubra o que é preciso para se tornar um designer automotivo. Entenda por que a profissão vai muito além de desenhar carros bonitos e como conhecimentos em aerodinâmica, ergonomia e engenharia são essenciais para criar veículos funcionais.

A paixão por carros leva muitas pessoas a sonharem em participar da criação de novos veículos. No entanto, o trabalho de um designer automotivo vai muito além de desenhar modelos com linhas chamativas ou aparência futurista.

De certa forma, essa profissão está muito mais próxima do design de produtos do que da ideia que muitas pessoas têm do design voltado apenas para a estética. Isso porque cada decisão tomada durante o desenvolvimento de um veículo precisa considerar fatores como ergonomia, aerodinâmica, segurança, custos de fabricação e a experiência de quem irá utilizá-lo.

Na prática, isso significa que um automóvel pode, sim, apresentar um visual marcante, mas cada curva, proporção e elemento da carroceria costuma existir por algum motivo. A função e a estética trabalham juntas para criar um veículo que seja bonito, eficiente e viável de ser produzido.

Por isso, seguir carreira nessa área exige muito mais do que criatividade ou afinidade com carros. Ao longo deste artigo, vamos mostrar quais conhecimentos e habilidades são importantes para quem deseja se tornar um designer automotivo.

Designer automotivo: muito além da paixão e do talento

É natural imaginar que gostar de carros e saber desenhar sejam os dois principais requisitos para seguir carreira como designer automotivo. Embora essas características realmente possam ajudar, elas representam apenas uma pequena parte do trabalho.

Assim como acontece em outras áreas criativas, desenvolver um bom projeto exige muito mais do que criatividade. O designer precisa entender quais problemas aquele produto deve resolver e como suas escolhas irão impactar a experiência de quem irá utilizá-lo.

Podemos observar isso em áreas bastante conhecidas. Um estilista, por exemplo, não cria apenas uma roupa bonita. Dependendo da proposta da peça, ele pode priorizar conforto, liberdade de movimentos, elegância ou até desempenho, como acontece nas roupas esportivas. Cada projeto exige um equilíbrio diferente entre estética e funcionalidade.

No design automotivo acontece exatamente a mesma coisa. Durante o desenvolvimento de um veículo, fatores como conforto, ergonomia, aerodinâmica, segurança, custos de produção e eficiência precisam ser considerados ao mesmo tempo.

E esse equilíbrio muda conforme o objetivo do carro. Um esportivo permite soluções que privilegiam desempenho, mesmo que isso resulte em maior consumo de combustível ou menor espaço interno. Já um veículo pensado para o uso diário precisa entregar economia, praticidade e conforto, pois é isso que seu público espera.

Perceba que nenhuma dessas escolhas elimina a preocupação com o design. Um carro esportivo continua precisando ser funcional, assim como um modelo urbano também precisa apresentar um visual capaz de agradar seus consumidores. O desafio do designer está justamente em encontrar a melhor solução para cada projeto.

Por isso, seguir essa carreira significa aprender muito mais do que desenhar. É preciso desenvolver uma visão que permita transformar necessidades técnicas, comerciais e estéticas em um único produto.

A formação do designer automotivo

Uma dúvida muito comum de quem deseja seguir na área é: por onde começar?

Primeiramente, é importante saber que não existe uma faculdade específica de Design Automotivo. Por isso, muitos costumam começar com formações na área de Design de Produto ou Desenho Industrial, que oferecem uma base importante sobre criação, desenvolvimento de projetos, ergonomia, materiais e processos de fabricação.

Durante esse período, vale buscar estágios relacionados ao setor automotivo sempre que possível. Mais do que adquirir experiência, eles permitem conhecer a rotina da profissão e entender como a profissão realmente funciona.

Esse contato é importante porque ajuda a confirmar se aquela carreira corresponde às suas expectativas. Isso porque, muitas vezes idealizamos uma determinada profissão e, ao vivenciar seu dia a dia, percebemos que ela é diferente do que imaginávamos.

Ao se confirmar que está de fato na área certa, vale começar a buscar por especialização na área. Para isso, existem cursos voltados ao sketch automotivo, que ajudam a desenvolver a capacidade de representar ideias de forma rápida e clara, além de formações focadas em modelagem digital e renderização.

Também vale investir em conhecimentos ligados à engenharia. Entender conceitos como aerodinâmica, ergonomia, materiais e processos de fabricação permite que o designer compreenda melhor as possibilidades e as limitações de cada projeto.

Desenvolvendo o olhar de um designer

Uma característica muito importante para quem deseja atuar na área é desenvolver a capacidade de observação. Assim como acontece em outras profissões criativas, boas ideias dificilmente surgem apenas diante de uma folha em branco. Elas costumam nascer da forma como o profissional observa o mundo ao seu redor.

Muitas soluções podem estar em detalhes presentes em outros veículos, em produtos de diferentes áreas ou até mesmo em objetos do cotidiano. Um mecanismo de abertura, um formato mais ergonômico ou uma solução para aproveitar melhor o espaço pode servir de inspiração para um novo projeto.

Um exemplo bastante conhecido é a maçaneta do Mazda RX-7 (FD). O designer Yoichi Sato buscava uma forma de integrar esse elemento à carroceria para deixar as linhas do veículo mais limpas. Para isso, desenvolveu um sistema em que a maçaneta ficava embutida na coluna preta da porta, tornando-se quase imperceptível quando o carro era visto de perfil.

A solução foi inspirada em referências da arquitetura japonesa e na busca por superfícies mais limpas, algo que muitos também associam ao desenho de aeronaves. Além do impacto visual, essa escolha ainda reduzia pequenas interferências no fluxo de ar ao redor da carroceria, mostrando como diferentes referências podem contribuir para um mesmo projeto.

Criando seu portfólio

Quando falamos de profissões criativas, é fundamental que o futuro profissional construa um portfólio consistente. É ele que permitirá que empresas e recrutadores conheçam seu trabalho e entendam como você desenvolve suas ideias.

Além dos projetos que naturalmente serão feitos durante a graduação e os cursos de especialização, vale a pena dedicar um tempo para desenvolver criações próprias. Elas ajudam a mostrar seu estilo, mas principalmente sua capacidade de resolver diferentes desafios de design.

Nesse momento, um ponto importante é buscar variedade. Em vez de criar apenas conceitos de carros esportivos, procure desenvolver projetos para diferentes segmentos, como veículos urbanos, SUVs ou utilitários. Afinal, cada tipo de automóvel possui necessidades próprias e exige soluções diferentes.

Isso demonstra que você consegue adaptar suas ideias ao objetivo de cada projeto, algo muito valorizado pelas montadoras. Mais do que apresentar desenhos bonitos, um bom portfólio mostra que você é capaz de criar projetos consistentes tanto do ponto de vista estético quanto funcional.

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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA