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O Diabo Veste Prada 2: quando os figurinos também contam a história

O retorno de O Diabo Veste Prada 2 prova que a moda conta histórias. Descubra como a figurinista Molly Rodgers usou looks de grifes como Balenciaga e Dior para mostrar a evolução de Miranda, Andy e Emily ao longo de 20 anos.

O lançamento de O Diabo Veste Prada 2 marcou o retorno de uma história que se tornou marcante por diversos fatores. Além de ser uma comédia muito emblemática dos anos 2000, o primeiro filme apresentou personagens extremamente carismáticos, cada um com uma personalidade bastante própria, enquanto colocava a moda em uma posição de protagonismo.

Quem assistiu tanto ao primeiro quanto ao segundo filme pode perceber como cada look possui uma importância narrativa, funcionando quase como “personagens” dentro da própria história.

Talvez uma das coisas mais interessantes desses filmes seja a forma como eles apresentam uma visão do mundo da moda, ainda que com as licenças poéticas necessárias para tornar a história mais divertida e acessível. As roupas não estão ali apenas para deixar os personagens bem-vestidos, mas também ajudam a mostrar quem eles são, como se posicionam e até mesmo como mudam ao longo da história.

Por isso, hoje vamos entender um pouco melhor as escolhas por trás dos figurinos de O Diabo Veste Prada 2 e conhecer alguns dos looks que mais chamaram atenção no filme.

A ideia por trás de cada roupa

Para este filme, a figurinista escolhida foi Molly Rodgers, que, no primeiro, atuou como assistente de Patricia Field, sua mentora. E talvez um dos grandes desafios de quem trabalha em um filme como esse seja considerar que cada roupa possui um papel narrativo importante para os personagens.

Embora a própria Rodgers não tenha se sentido intimidada pelo desafio, havia também algo de nostálgico em reviver aquele universo. Ao mesmo tempo, ela tinha uma tarefa bastante importante pela frente: tornar coerente a evolução de cada personagem.

O filme é uma continuação direta, mas a história se passa cerca de 20 anos depois dos acontecimentos do primeiro. Essa passagem de tempo não representa apenas a evolução pessoal de cada personagem, mas também as mudanças pelas quais a própria moda passou nesse período.

Andy, por exemplo, já é uma jornalista renomada e muito mais confiante em si mesma do que era no primeiro filme. Miranda, que antes ocupava uma posição de enorme poder e se colocava acima de praticamente todos ao seu redor, agora precisa lidar com uma realidade bastante diferente. Emily, por sua vez, também deixou para trás a posição que ocupava na Runway e construiu uma nova trajetória profissional.

Todas essas mudanças precisam ser percebidas pelo público, e o figurino é uma das ferramentas utilizadas para isso. As roupas ajudam a mostrar não apenas quem essas personagens se tornaram, mas também a relação que elas possuem atualmente com a moda.

Por isso, selecionamos alguns figurinos que ajudam a entender essas mudanças e as razões por trás de suas escolhas:

Miranda: menos influência, mas ainda uma referência de poder na moda

Primeiramente, vamos falar sobre Miranda, personagem de Meryl Streep que é a grande referência de moda dentro do filme e talvez aquela que faça uso dela de maneira mais impactante.

Isso pode ser explicado pela inspiração de sua personagem em uma figura da vida real, Anna Wintour, histórica editora-chefe da Vogue, que inclusive participou da divulgação do segundo filme ao lado de Meryl Streep. E há três casos emblemáticos no filme que mostram como Rodgers buscou transmitir essa relação entre Miranda e a moda.

O primeiro é o vestido de gala vermelho de um ombro só da Balenciaga que Miranda usa em uma festa. A escolha foi feita em conjunto pela figurinista e pela atriz, e o vermelho apareceu quase imediatamente como uma opção. Mais do que uma escolha estética, a cor ajuda a transmitir a ideia de que, mesmo sem a influência que possuía anteriormente, Miranda continua sendo um nome de destaque dentro daquele mundo.

O segundo exemplo é o casaco de franjas da Dries Van Noten escolhido por Rodgers. Como a própria figurinista explica, ela não gosta de forçar os atores a usarem determinadas peças, mas Meryl Streep gostou do casaco e ele acabou incorporado ao figurino. A escolha também tinha uma função narrativa: a peça precisava chamar atenção e transmitir aquela percepção de “editora” durante a reunião.

Por fim, temos uma peça da coleção de alta-costura Privé primavera 2025 de Giorgio Armani, usada sobre uma blusa Lurex Oud com laço no pescoço e calças pretas.

Chamado pela própria produção de uma “bola de discoteca humana”, o figurino foge um pouco do que costumamos associar às roupas mais tradicionais de Miranda. Mas o momento pedia uma produção que, como explicou Rodgers, “precisava ser deslumbrante”. Nesse caso, o look funciona para mostrar que Miranda continua sendo alguém que chama atenção onde quer que esteja.

Andy: mesmos valores, mas com mais estilo

Um dos casos mais interessantes deste novo filme é observar o amadurecimento de Andy. No primeiro, já acompanhamos sua transformação e, nesta continuação, ela aparece como alguém que incorporou e amadureceu todo aquele aprendizado.

Mais madura, mas ainda com os mesmos valores, ela se mostra muito mais capaz de se posicionar e até de “se impor” por meio das escolhas que faz. Talvez um dos exemplos mais interessantes disso aconteça quando ela vai fazer uma matéria na Dior, onde reencontra sua antiga companheira de trabalho, Emily.

Para a ocasião, Rodgers escolheu um colete preto listrado de Jean Paul Gaultier, combinado com calças da mesma cor, um colar de pérolas e nada por baixo.

O principal objetivo da figurinista era transmitir a imponência de uma repórter profissional renomada, mas sem deixar de lado os valores da própria Andy. Como ela explica:

“Eu queria equilibrar peças encontradas com outras que ela poderia ter comprado e que usaria como repórter profissional.”

Emily: amadurecer sem abandonar sua essência

Uma das marcas de Emily no primeiro filme era seu visual mais eclético, algo que Rodgers preservou na continuação. Um exemplo aparece no figurino que combina uma camisa branca da Dior com um corset Wiederhoeft e calças listradas em preto e branco da Gaultier.

A ideia era mostrar o amadurecimento da personagem, mas também preservar sua identidade nas escolhas daquilo que ela usaria. Isso fica ainda mais interessante quando consideramos sua nova posição: Emily agora é uma executiva da Dior e ocupa um espaço de destaque dentro da indústria da moda.

Outro ponto que chama atenção é a quantidade de figurinos pensados para a personagem. Entre as protagonistas, Emily foi a que teve mais variações, chegando a 16 trocas de roupa ao longo da produção. Segundo Rodgers, havia tantas ideias para seus looks que algumas acabaram ficando de fora da versão final do filme.

Um exemplo é o vestido de gala da Dior, com corpete de tule nude e renda preta, luvas de ópera combinando e uma saia de cetim preta esvoaçante com um laço duplo lateral.

Favorito da figurinista, o vestido acabou ficando fora da edição final, mas, segundo ela, representava uma oportunidade de trazer um lado mais moderno para Emily, por ser diferente daquilo que ela normalmente usava.

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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA