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Pokémon Adventures: o lado mais “maduro” da franquia
Descubra por que o mangá Pokémon Adventures é considerado a versão mais fiel aos jogos originais da franquia. Conheça as histórias com vilões inesperados, batalhas intensas e tramas complexas que a clássica animação da TV não mostrou.
A franquia Pokémon está completando 30 anos em 2026 e segue firme, especialmente no que diz respeito aos jogos. Apesar de o anime hoje não contar com a mesma popularidade de outros tempos, ele se tornou a grande referência de como as pessoas imaginam ser aquele universo.
Só que o mangá (a parte menos conhecida para muitos brasileiros) é a mídia que retrata os jogos de forma mais fiel. Hoje, explicaremos um pouco dessa diferença e da abordagem mais “madura” da franquia.
Entendendo a linha do tempo de lançamentos de Pokémon
Na maior parte dos casos, mangás e animes costumam surgir antes dos jogos. Com Pokémon aconteceu o contrário: os games vieram primeiro e serviram de base para todas as outras produções da franquia.
A linha do tempo inicial foi a seguinte:
- Fevereiro de 1996: lançamento de Pokémon Red e Green no Japão. Fora do país, os jogos acabaram adaptados para as versões Red e Blue;
- Março de 1997: lançamento do mangá Pokémon Adventures, que trazia como protagonista o Red, personagem inspirado diretamente no treinador controlado pelo jogador nos games;
- Abril de 1997: estreia do anime de Pokémon, que criou um protagonista próprio: Satoshi (conhecido no Ocidente como Ash Ketchum).
Durante muito tempo, muita gente acreditou que Red e Ash fossem o mesmo personagem. No entanto, a própria The Pokémon Company já deixou claro em diversas ocasiões que os dois pertencem a versões diferentes daquele universo.
Red e Ash: parecidos, mas não iguais
Onde anime e mangá começam a se distanciar
Quando o anime foi lançado, um dos principais objetivos era justamente o de popularizar o jogo, no Japão e no mundo. Como o público-alvo eram as crianças, a produção investiu em uma temática muito mais leve, com uma visão mais idealizada do mundo de Pokémon.
Até há episódios mais tensos, como a própria narrativa do Mewtwo, situações que deixam mais evidente a maldade da Equipe Rocket ou treinadores gananciosos querendo o poder de Pokémon lendários. No entanto, na imensa maioria das vezes, temos uma trama que avança em ritmo lento, com os personagens principais lidando com aventuras curtas (que começam e terminam no mesmo episódio), as quais trazem alguma lição de moral, mas pouco agregam ao enredo principal.
Paralelamente, tínhamos o mangá com mais liberdade para explorar o mundo de Pokémon de uma forma muito mais “crua”. Como o público dele também era mais velho, a obra pôde abordar determinadas questões que podem chocar quem está acostumado apenas com a animação.
Vilões inesperados
O que mais chama atenção para quem começa a ler Pokémon Adventures são os vilões. Giovanni nunca foi exatamente uma figura amigável nos jogos ou no anime, mas aqui ele aparece de forma ainda mais cruel e intimidadora.
Só que a grande surpresa está em alguns líderes de ginásio que surgem como executivos da Equipe Rocket e atuam diretamente como antagonistas da história. Entre eles estão nomes bastante conhecidos do público, como:
- Koga;
- Lt. Surge;
- Sabrina.
Os líderes como membros da Equipe Rocket
Blaine talvez seja o caso mais interessante, justamente pela ambiguidade que a história explora. No mangá, ele participa da criação do Mewtwo, chegando a usar as próprias células para completar o DNA do Pokémon. Mais tarde, arrependido do que ajudou a construir, passa a tentar salvar sua criação das mãos da Equipe Rocket.
A saga seguinte, protagonizada pela Yellow, apresenta antagonistas ainda mais inesperados: a Elite 4. Liderados por Lance, eles defendem a destruição da humanidade como forma de proteger os Pokémon dos danos causados pelas pessoas.
Mais uma vez, a história abandona uma divisão simples entre heróis e vilões. Nesse arco, personagens como Sabrina, Koga, Surge e até o próprio Giovanni acabam se tornando aliados temporários dos protagonistas. Esse tipo de mudança ajuda a explicar por que o mangá ficou conhecido por explorar conflitos mais complexos e menos idealizados do que aqueles vistos no anime.
Blaine e Mewtwo x Lance e Aerodactyl
Violência era um elemento comum em Pokémon Adventures
O anime até apresentava alguns momentos mais tensos, mas o mangá explorava a violência de forma muito mais direta. Entre os exemplos mais conhecidos, estão:
- Giovanni usando seu Cloyster para congelar um Magmar e depois quebrá-lo em pedaços;
- Blue utilizando seu Charmeleon para cortar ao meio o Arbok de Koga;
- Lance destruindo parte da cidade de Vermillion com o hiper-raio de seu Dragonair;
- O Psyduck zumbi que aparece na torre de Lavender.
Também existem momentos menos lembrados, mas igualmente pesados, como o tráfico infantil comandado pelo Masked Man na saga Gold & Silver (mais tarde revelado como o líder de ginásio Pryce) ou quando Red, Blue, Green e Silver acabam transformados em pedra no final da saga FireRed & LeafGreen.
A destruição de Vermillion por Lance
Cenas mais brutais e finais nem sempre felizes eram relativamente comuns em Pokémon Adventures. A proposta da obra sempre foi trabalhar de forma mais direta temas que os próprios jogos apenas sugeriam em segundo plano. Essa diferença ajudou o mangá a conquistar um público bastante fiel, justamente por apresentar uma visão muito diferente daquela popularizada pelo anime.
Ao todo, a série conta atualmente com 16 sagas, começando em Red, Green & Blue e chegando até Scarlet & Violet. A história é escrita por Hidenori Kusaka, com ilustrações de Mato nos primeiros volumes e, posteriormente, de Satoshi Yamamoto.
Um fato curioso é que o próprio Satoshi Tajiri já afirmou que Pokémon Adventures é a adaptação mais próxima daquilo que ele imaginava para o universo de Pokémon.
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Autoria: Departamento de Pesquisa e Cultura ABRA




